Cidades
30% da economia informal vem da criminalidade
ANA MÁRCIA Cerca de 30% de todos os produtos comercializados pela economia informal no Brasil e em Alagoas vêm da chamada economia subterrânea: são frutos de roubos ou vieram de atividades ilegais e criminosas. Os dados são do doutor em Economia e professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Fernando Lira, integrante de uma rede de economistas no País que elaboram pesquisa científica sobre a questão. Um dos pontos mais graves da situação é o fato de que este elevado percentual não está contabilizando os recursos e o crescimento econômico proveniente do narcotráfico. Os 30% da economia subterrânea consideram apenas o comércio informal proveniente de produtos roubados, roubos de cargas, ?lavagem de dinheiro?, empresas que são abertas apenas com o intuito de ?lavagem de dinheiro?, seqüestros e seqüestros relâmpago. Crescimento Os economistas, segundo afirmações de Fernando Lira, não ousaram estudar e medir o crescimento econômico do narcotráfico no País, por temeram pela própria vida. ?Esta facção criminosa no País é uma ameaça à própria democracia, a partir do momento em que não podemos estudar, enquanto cientistas econômicos, o avanço do narcotráfico?, admite. A chamada economia subterrânea cresceu mais que a economia informal propriamente dita e desafia, de acordo com Fernando Lira, os governos das grandes capitais como Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, onde o sucateamento na área de Segurança Público é um problema comum. Avanço Para o economista, o avanço da economia criminosa é um dos resultado de 20 anos de crise econômica e social no Brasil. ?Com polícia apenas não se resolve o problema da criminalidade, por se tratar de um desafio social e econômico, num país de 10 milhões de desempregados?, conclui Fernando Lira.