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Do bode nada se perde, tudo se aproveita

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Rota do programa Fome Zero, que se junta a iniciativas como a do leite caprino para combater a incerteza diária dos estômagos que roncam o barulho da miséria, o Cariri paraibano também tira do couro do bode o seu sustento. No distrito de Ribeira, ainda, no município de Cabaceiras, encontramos a Arteza, uma cooperativa que explora peles de caprinos e mantém 120 famílias no ramo. Lá, o mesmo bicho que já deu a carne, leite e queijo, permite a confecção de chapéus, bonés, cintos, bijuterias, bolsas, calçados, tapetes, cortinas e ornamento para roupas. O projeto tem apoio do CNPq, Sebrae(Serviço de Apoio a pequenas e médias empresas), Banco do Nordeste, Senai (Serviço Nacional da Indústria) e governo da Paraíba.?Hoje, não damos conta dos pedidos e das vendas que temos feito em exposições e feiras nas capitais?, relata José Itamar Maracajá Ramos, 31, presidente da cooperativa. ?Não podemos ficar só esperando por chuva em um lugar que já sabemos que as condições climáticas nunca foram e dificilmente serão favoráveis?.No Cariri, o índice de chuvas por ano, fica entre 400 a 700 mililitros, enquanto a média brasileira alcança entre 1.500 a 2.000 mililitros. Cabaceiras, povoado que tem origem em 1735, é conhecida como o lugar onde menos chove no Brasil. O leito seco do rio Taperoá, logo, na entrada da cidade - para quem chega na estrada de Campina Grande - traduz bem esses números. Além da Arteza, pequenas oficinas estão espalhadas pelo município. José Batista de Souza, mais conhecido como Zé Pombo, dá trabalho a quatro pessoas que o ajudam a fabricar chapéus típicos dos vaqueiros. O carro sai carregado com o seu produto para a cidade de Caruaru, no agreste de Pernambuco, centro comercial importante do Nordeste. ?Não tenho do que reclamar?, diz, no seu jeitão seco e de pouca fala.Os repórteres Xico Sá e U. Dettmar viajaram a convite do Banco do Nordeste do Brasil (BNB).

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