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Coisa de cinema: local atrai at� estrangeiros

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Cenário dos filmes ?O Auto da Compadecida? (2000), de Guel Arraes, e ?São Jerônimo? (1998), de Júlio Bressane, a terra caririense foi descoberta também por turistas europeus, ?os galegos de longe?, no dizer dossertanejos. Os gringos, fatigados do Litoral, chegam a Cabaceiras para um alumbramento com aquele mundão árido, coisa só vista lá fora, no cinema de Glauber Rocha, o baiano que inventou a estética da fome. O lajedo de Pai Mateu, sítio arqueológico com inscrições rupestres dos índios Cariris, é o ponto mais visitado. O nome da pedreira lembra um velho ermitão que viveu por lá, em uma caverna, ainda, no séculoXIX. Conta-se um mar de histórias a respeito do sábio matuto que rejeitava usos e costumes dos supostos homens civilizados. À noite, à beira de uma fogueira - o clima noturno do sertão muitas vezes, desce a 15°-, ?seu Edvaldo? conta lorotas, lendas e diverte os visitantes em um hotel-fazenda nas proximidades do lajedo pré-histórico. ?Eu mesmo nunca achei graça nessa pedreira toda não, mas os de fora ficam lesados?, conta. ?Eles sabem dos ensinamentos que existem naquelas locas e cavernas?. O prefeito de Cabaceiras, Arnaldo Júnior Farias Doso (PPS), sabe atrair gente até o seu município. A festa do bode-rei é um estouro. Realiza-se todos os anos, da última semana de maio ao começo de junho. Temcorrida de bode, pizza de bode para dar sustança, drinques com leite de cabra, eleição do melhor bode e até um concurso de beleza para eleger a rainha do bode, que reina até a próxima festa. A vencedora deste ano foi a estudante Ivonara Veruska de Farias Souza, de 16 anos, que bateu duas dezenas de concorrentes. ?Nem gosto tanto de bode assim, mas vencer o concurso foi uma alegria sem tamanho. Era tanta gente, que só vendo?, lembra. Mas a preocupação da cidade não fica restrita ao bode. A prefeitura também instalou um museu para recuperar a história e a crônica de costumes de Cabaceiras. Lá estão, no prédio, onde funcionou uma velha delegacia invadida pelo bando do cangaceiro Antônio Silvino (1872-1944), famoso no gênero muito antes de Lampião, objetos e símbolos dos personagens locais. Como os brasões, todos com aqueles motivos medievais, das famílias da área. O Cariri também é o chão onde o escritor paraibano Ariano Suassuna, de aristocrática família sertaneja, autor da peça que originou a fita de Arraes, elegeu para criar cabras em sociedade com o primo ManuelitoDantas, conhecedor do ramo como poucos, na fazenda Carnaúbas, município de Taperoá. (Os repórteres Xico Sá e U.Dettmar viajaram a convite do Banco do Nordeste)

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