Cidades
DRT quer fiscalizar o transporte interestadual
FÁTIMA ALMEIDA A Delegacia Regional do Trabalho (DRT/AL) quer ampliar a atuação do Comitê de Fiscalização de Transporte do Trabalhador Rural, que atualmente se restringe a propriedades rurais dentro do próprio Estado, para a fiscalização do transporte interestadual. Essa é uma das medidas que serão adotadas para diminuir a incidência de saída clandestina de trabalhadores alagoanos, para trabalhar em outros estados em regime de escravidão ou de semi-escravidão. Segundo o delegado regional do Trabalho (DRT), dos mais de 2 mil trabalhadores resgatados desde o segundo semestre do ano passado, no Brasil, 10% eram maranhenses (cerca de 200) e 5% (cerca de 100) eram alagoanos. Reunião Ricardo Coelho está programando para a primeira semana de agosto uma reunião entre os órgãos que têm assento no comitê (DRT, DNER, Batalhão de Polícia de Trânsito, Polícia Rodoviária federal e Procuradoria Regional do Trabalho), para discutir o assunto. A idéia, segundo ele, é de que a fiscalização, que atualmente é feita no transporte interno de trabalhador rural, nas fazendas e usinas de açúcar, passe a reforçar, também, a fiscalização no transporte interestadual. Além dessa articulação, o delegado do Trabalho está encaminhando, também, outras medidas que possam contribuir para inibir a saída de trabalhadores alagoanos para outros estados, em situações que possam gerar uma relação de escravidão. Segundo ele, um quantitativo maior de fiscais (60% dos auditores da DRT) e uma estrutura melhor de trabalho estão sendo deslocados prioritariamente para o interior do Estado, de onde muitos trabalhadores são levados sem contrato de trabalho registrado em carteira, para estados distantes. Lá, a maioria deles passa a viver em condições subumanas, trabalhando sem salário, ou por um pagamento irrisório que os leva a uma situação de dependência tal, que cria ?amarras?, impedindo-o de sair do local, e até de voltar à sua terra. Na próxima segunda-feira, Coelho participa de uma reunião em Brasília, entre todos os delegados e o ministro do Trabalho, e vai apelar para um trabalho mais conjunto entre as DRTs do país, na fiscalização dessa prática.