Cidades
Alagoas � segundo Estado em conflitos agr�rios
BLEINE OLIVEIRA O coordenador nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Izidoro Revrs, conhecido como Galego, esteve ontem em Maceió para o lançamento do documento que mostra os níveis de conflito e violência no campo. Os números foram levantados pela CPT e pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em todo o País. ?Podemos verificar que a situação é grave e com tendência a se intensificar?, alerta o dirigente da CPT. Na avaliação dele, só a ação objetiva do governo, estabelecendo um novo plano de reforma agrária muda essa realidade. Nos últimos 13 anos, 39 trabalhadores rurais foram assassinados em Alagoas, o que coloca o Estado como o segundo maior em termos de conflito agrário. Diante desse quadro, o que as lideranças sem-terra consideram mais grave é que nenhum dos crimes foi punido, ou seja, não há uma única pessoa presa pelas mortes dos trabalhadores. ?A conseqüência da impunidade é o agravamento da tensão no campo?, declara o coordenador estadual da Pastoral da Terra, Carlos Lima. Ele próprio está entre as quatro lideranças da CPT ameaçadas de morte, fato que provocou a divulgação de uma nota na qual a Comissão denuncia as ameaças e pede providências aos poderes públicos. Segundo a denúncia, trabalhadores acampados assistiram a um grupo de quatro homens discutir preço para realizar ?o serviço?, citando ainda os nomes das religiosas Cícera Menezes e Lígia Dellacorte e do líder sem-terra José Severino da Silva. O episódio teria ocorrido num bar, no município de União dos Palmares. Proteção Freqüentemente, as lideranças recebem telefonemas ameaçadores, mas até esse episódio não havia um fato que pudesse ser encarado como risco concreto. Com o depoimento de trabalhadores que testemunharam a conversa entre homens que a CPT suspeita serem pistoleiros, os dirigentes da entidade encaminharam documento pedindo providências à Polícia Federal, Conselho Estadual de Direitos Humanos e ao Ministério Público Federal. ?Se vierem a ocorrer atos de violência contra as lideranças da CPT, nenhuma autoridade vai poder dizer que não sabia?, afirma Carlos Lima. Segundo ele, a Pastoral da Terra analisa a possibilidade de pedir ao governo do Estado proteção para seus dirigentes. O episódio será denunciado nacionalmente a todas as entidades e órgãos federais envolvidos na questão agrária. Para o coordenador nacional da CPT, Izidoro Revrs, os movimentos sociais que lutam pela terra não podem continuar expostos a essa violência. Os relatórios das entidades mostram que o resultado é a intensificação e o crescimento das áreas de conflito. ?A situação continuará tensa se o governo não tiver coragem de implementar um plano de reforma agrária capaz de inserir os sem-terra num novo modelo de desenvolvimento agrícola, de inserção social e que resulte no fim da miséria?, sustenta Revrs.