Cidades
DELEGADOS E AGENTES CRITICAM NOVA ESCALA DE TRABALHO
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A pressão dos delegados alagoanos para acabar com a jornada excessiva de trabalho e acúmulo de funções motivou uma rápida mudança nas escalas e na rotina das delegacias. Estão valendo desde o dia 1º de dezembro as novas regras que tentam disciplinar o horário de trabalho das equipes, mas uma delas tem gerado polêmica. Entre terça e quinta-feira, os flagrantes do interior, após as 13h, só são feitos na Central de Flagrantes 1, em Maceió. A medida está sendo criticada tanto pelas autoridades policiais, maiores interessadas nestas mudanças, como pelos escrivães e agentes.
O presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas (Sindpol/AL), Ricardo Nazário, classifica a alteração como absurda, já que limitaria muito os plantões no interior, ocupando as guarnições militares no deslocamento à capital. “Os municípios alagoanos já não têm segurança pública e a equipe da Polícia Militar que trabalha no interior vai ter que sair da cidade para fazer o procedimento policial em Maceió. Para os policiais civis, estão mexendo na escala, realocando escrivãs, para fazer este atendimento na Central de Flagrantes 1, e isto tudo é um absurdo”, afirma Nazário. Segundo ele, os escrivães e agentes da Central de Flagrantes não conseguem, atualmente, atender a sociedade devido à sobrecarga de trabalho. Com a mudança, o quadro será bem pior.
“Terão que dar conta de todas as ocorrências do Estado em um só lugar. É humanamente impossível estes servidores atender as 140 delegacias de Alagoas. Ele estende as críticas aos delegados, que se uniram e tiveram o pleito atendido pela direção da Polícia Civil. Na opinião do presidente do Sindpol/AL, as autoridades policiais tiveram um aumento de 29% nas remunerações e o percentual a mais implicaria em extrapolar o teto salarial do Estado (equivalente ao que ganha o governador). “Os delegados tiram os plantões noturnos, não recebem o adicional por isso, mas paralelamente buscam a implantação do serviço extra, já que o dinheiro que eles iriam receber seria via indenização e não ficaria expresso no contracheque. Porém, a Procuradoria Geral do Estado já emitiu parecer contrário.
Penso que é falta de compromisso com a sociedade alagoana os delegados tomarem esta atitude”, dispara Nazário. Presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de Alagoas (Sindepol/AL), o delegado Rubens Martins compartilha com a mesma opinião do Sindpol acerca da falta de estrutura física e de pessoal da Central de Flagrantes 1 para absolver a carga de trabalho do interior nos dias de semana. Na avaliação dele, a tendência é que os procedimentos fiquem mais morosos. Como também integra a equipe da Central 1, Martins diz que esta foi a solução encontrada pela administração da Polícia Civil, embora não seja aprovada pela categoria. “Infelizmente, a portaria regulariza, em parte, uma situação que já afligia os delegados há anos, mas descobriu outro lado. Certamente, os flagrantes vão demorar para ser feitos. Não estamos felizes em observar esta situação e garanto que os delegados querem servir a sociedade da melhor maneira, com as delegacias funcionando bem. No entanto, os nossos direitos precisam ser respeitados”.
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Ele informou que, nessa terça-feira, a equipe plantonista em Maceió foi obrigada a concluir flagrantes provenientes dos municípios de Estrela de Alagoas e Arapiraca. Além disso, lamenta o fato de que o Complexo de Delegacias Especializadas (Code) fique sem delegados, conforme já foi anunciado pela Polícia Civil. “Alguns delegados entregaram as delegacias que não eram os titulares, para evitar o acúmulo de funções. Para estes distritos, sem uma titularidade, há risco de os inquéritos ficarem parados”, detalha.