Cidades
Superlota��o fecha Maternidade Santa M�nica
Não há mais vagas no berçário e na UTI neonatal da casa Maternal Santa Mônica. A superlotação dos leitos é um problema que põe em risco a saúde e até a vida de bebês que nasceram em situação de risco e precisam de cuidados especiais. A maternidade dispõe de 54 leitos, com capacidade para abrigar seis recém-nascidos cada um. Mas o que se vê são quartos com até 12 crianças, o dobro da capacidade permitida. De acordo com a enfermera-chefe do setor, Edja Solange, a superlotação prejudica o trabalho dos profissionais responsáveis pelo berçário e pela UTI, pois a estrutura disponível não atende à demanda. Em média, chegam à unidade hospitalar três gestantes de risco por dia. ?A gente encontra muita dificuldade para dar o suporte necessário aos pacientes. Não temos equipamentos suficientes, como o respirador e a fonte de oxigênio. Além disso, faltam recursos humanos?, afirma. Diante desse quadro caótico, Edja disse que as gestantes de risco são aconselhadas a procurar outras unidades como o Hospital Universitário (HU) e o Hospital dos Usineiros. Entretanto, partos considerados normais ainda são realizados na Santa Mônica, que é referência na área, inclusive atendendo gestantes de outros estados, como Bahia e Sergipe. ?Muitas vêm de Paulo Afonso (BA) e de Aracaju para ter seus filhos aqui?, informa. Crise A situação, acredita, é fruto da crise generalizada enfrentada pelo sistema de saúde público brasileiro. Na avaliação da enfermeira-chefe, se outras unidades hospitalares tivessem estrutura e recursos humanos suficientes para atender à população com eficiência, a Maternidade Santa Mônica não passaria pelo problema da superlotação. ?Arapiraca é uma cidade grande, poderia ter uma estrutura para suprir as necessidades da região do Agreste, desafogando o atendimento na capital?, sugere a Edja. Por causa da crise na maior maternidade do Estado de Alagoas, quem consegue ser atendido, agradece à sorte. É o caso da dona-de-casa Marilene da Conceição, 20, moradora do município de Santana do Mundaú. Sua filha, que completou 12 dias, nasceu prematura, aos seis meses de gestação. O medo causado pelo alto risco de infecção hospitalar, pois os berços estão muito próximos uns dos outros e as condições de trabalho são precárias, atormenta as mães dos bebês internados na UTI neonatal e no berçário. Apesar disso, Marilene sente-se uma felizarda, pois muitos não conseguem sequer ser atendidos. ?Eu tive sorte, mas fico triste ao pensar na situação das outras pessoas que vêm aqui e ficam jogadas à própria sorte?, lamentou a paciente.