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Mart�rios continua sendo “lar” de cheira-colas na cidade

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Caíque Marquez A Praça dos Martírios continua sendo utilizada como ?lar? por dezenas de crianças e adolescentes que cheiram cola de sapateiro. Não importa a hora, durante o dia ou à noite, os meninos de rua estão no local, se drogando ou praticando pequenos furtos. O Núcleo de Defesa dos Direitos da Infância e da Juventude do Ministério Público (MP), a Fundação Municipal da Criança e do Adolescente (Funacriad), o Unicef e diversos outros órgãos do Estado e do município firmaram, no último mês de abril, um termo de compromisso para tirar os meninos e meninas de rua do centro de Maceió. O termo destinava-se, inicialmente, as 57 pessoas que ?viviam? na Praça dos Martírios, onde está a sede do governo alagoano, o Palácio Floriano Peixoto. Algumas ações chegaram a ser iniciadas, com o objetivo de resgatar a dignidade de centenas de crianças e jovens que perambulam pelas ruas de Maceió. O Ministério Público fixou prazo de 30 dias para que Estado e Prefeitura adotassem medidas capazes de garantir assistência aquelas crianças e jovens, promovendo todos os meios para incluí-las socialmente, conforme determina o Estatuto de Criança e do Adolescente. Porém, do grupo que se mantinha na praça, que incluía alguns adultos, 16 foram encaminhados para tratamento contra a dependência de drogas e, destes, nove não se adaptaram, 20 foram devolvidos as suas famílias e dez ?sumiram? sem que as entidades de assistência social saibam onde estão. Aos que estão com a família e em tratamento, a Funacriad está garantindo apoio e assistência. Atualmente, a situação voltou à estaca zero, pois o grupo inicial foi substituído por outro. Novas crianças e adolescentes se instalaram na Praça dos Martírios. ?Temos outro contingente de menores na praça. Isso mostra como esse trabalho é difícil e demorado?, afirmou a presidenta da Funacriad, Tereza Nelma. Ela disse que as entidades que participam do termo de compromisso estão, agora, voltando-se para meninos e meninas que ?vivem? na Feira do Rato e no Mercado Público. Pesquisa Uma pesquisa realizada pelas instituições públicas de amparo aos menores mostra que crianças e jovens que vivem nas ruas têm entre cinco e 20 anos, são dependentes químicos (principalmente da cola de sapateiro) e sofrem com diversos tipos de doenças, entre elas tuberculose e as sexualmente transmissíveis, inclusive Aids. São revoltados e agressivos, por isso fogem da abordagem social. Entrevistas Em entrevista exclusiva à GAZETA DE ALAGOAS, as crianças e adolescentes que estão vivendo atualmente na Praça dos Martírios afirmaram que sentem vontade de deixar as ruas para estudar e trabalhar, mas nunca encontram oportunidade. ?Queria muito sair dessa vida, mas quem vai dar oportunidade para um jovem viciado em cola de sapateiro como eu? Não tenho documentos, não sei ler nem escrever e jamais serei aceito numa escola de verdade. Gostaria muito de parar de cheirar cola, mas não consigo sozinho, pois não tenho nada para fazer a não ser ficar na praça me drogando?, afirmou Felipe Lins dos Santos, de 19 anos. Rogério dos Santos de Araújo, também 19 anos, disse que seu maior sonho é arrumar um emprego durante o dia e estudar à noite. ?Se o governo oferecesse condições de a gente estudar, jogar futebol e arrumar trabalho seria muito bom. Mas eles só aparecem na época de eleição e depois se esquecem de nós?, frisou. Na mesma situação dos dois jovens está Marcelo Ferreira dos Santos, de 22 anos, F.S.R, de 17 anos, W.E.M, de 15 anos, entre outros. De acordo com Tereza Nelma, para cada menino ou menina que as entidades conseguem retirar das ruas aparecem outros dez. ?Estão faltando parcerias mais efetivas para que o trabalho tenha maior eficiência. Não adianta tirar os adolescentes das ruas se falta emprego, alimentação, estrutura familiar e segurança. Além disso, a Educação do Estado não está preparada para receber esses jovens?, salientou. Segundo Tereza Nelma, as entidades estão desenvolvendo um programa para atrair os menores durante a noite, quando diminui o movimento no entorno do Palácio. A abordagem noturna está sendo realizada no Ginásio do Estadual, no centro, onde professores, psicólogos e assistentes sociais estão oferecendo atividades esportivas, educativas e pedagógicas. ?Mas é difícil conquistá-los. Eles não têm a mínima cultura de organização e disciplina, vivem em completa libertinagem?, afirmou a presidenta da Funacriad. A coordenadora do Movimento de Meninos e Meninas de Rua, Maria das Graças Bezerra, declarou que só será possível retirar os meninos e meninas das ruas quando o Estado cumprir seu papel e oferecer políticas públicas efetivas, que atinjam essa camada da população.

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