Cidades
MP amea�a punir dire��o de hospital por omiss�o
BLEINE OLIVEIRA A Maternidade Santa Mônica voltou a ser alvo de críticas depois que sua diretoria suspendeu o atendimento a novas pacientes, alegando superlotação. Segundo a diretora da maternidade, médica Laura Dantas, aquela unidade hospitalar não tem mais condições de atender a nenhuma parturiente, estando, inclusive, com a UTI Neonatal completamente lotada. Com capacidade para atender a 38 bebês nascidos prematuramente, atualmente a Santa Mônica tem 52 recém-nascidos internados. A situação levou o coordenador do Núcleo de Defesa dos Direitos da Infância e da Juventude do Ministério Público, promotor Ubirajara Ramos, a declarar que os diretores e médicos da maternidade podem ser processados, criminalmente, por omissão de socorro. O promotor entende que, como responsável pela saúde pública, o Estado tem que adotar as providências necessárias a garantir o socorro à população. A Santa Mônica é uma das unidades da rede pública estadual. Para Ubirajara Ramos uma solução é a descentralização do atendimento de urgência e de alto risco, mas como a situação na maternidade é grave têm que ser adotadas providências imediatas. Lembrando que a maternidade foi reformada há cerca de dois anos, graças à ação do Ministério Público, o promotor de Justiça cobrou a ampliação dos espaços físicos e dos equipamentos necessários para que sejam atendidas todas as mães e bebês que procurarem aquela maternidade. Negando que tenha aumentado o número de óbitos na unidade, a diretora da Santa Mônica, Laura Dantas, reclamou que a superlotação é provocada pelo grande número de recém-nascidos enviados por hospitais conveniados ao SUS, por hospitais particulares e até por hospitais de outros estados. O resultado, afirma Laura Dantas, é o esgotamento total da capacidade de atendimento. Para não aumentar os riscos de infecção hospitalar, a opção é suspender novas internações. Bode expiatório O presidente da Universidade de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal), médico Telmo Henrique, disse que a Maternidade Santa Mônica não pode ser ?bode expiatório? dos problemas na área de Saúde. Na avaliação dele, o MP deveria agir para obrigar os hospitais privados que dispõem de UTI Neonatal a também atenderem gestantes de alto risco. ?Mas, ao contrário, eles mandam pra nós?- reclama o dirigente da Uncisal, a qual a Santa Mônica é vinculada. Segundo Telmo Henrique, os hospitais particulares que podem prestar atendimento são o Hospital dos Usineiros, a Santa Casa de Misericórdia e o Hospital Arthur Ramos.