Cidades
Sem-terra interditam BR-423 e pol�cia impede saques
ARNALDO FERREIRA e MAIKEL MARQUES Mais de 600 agricultores e trabalhadores do campo ligados ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra ocuparam, ontem, por 10 horas, a rodovia BR-423, na divisa entre os municípios de Delmiro Gouveia (AL) e Paulo Afonso (BA). O ocupação tinha o objetivo de fazer novos saques, mas as polícias Rodoviária Federal, Militar e Civil dos estados da Bahia e de Alagoas foram mais rápidas e desviaram o trânsito de cargas para outras estradas. Até o escritório da Chesf foi atacado. Os manifestantes são de assentamentos do município de Delmiro Gouveia (distante 300 quilômetros de Maceió). O dia amanhecia, quando por volta das 5 horas da manhã, os militantes do MST chegaram e ficaram em pontos estratégicos, próximos da ponte sobre o Rio São Francisco, que fica na divisa entre Alagoas e Bahia. A polícia, além de desviar o trânsito, ficou monitorando os manifestantes, a distância. Chesf Por volta das 14 horas, com fome e sem conseguir alimentos naquela região do Alto Sertão, castigada pela seca, os manifestantes rumaram para o escritório da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), ocuparam a área externa e ameaçaram invadir o prédio. Às 16 horas, os ânimos se acalmaram depois que os manifestantes tiveram a promessa de que receberiam 700 quentinhas, desde que saíssem da área. As negociações aconteceram entre os líderes dos trabalhadores rurais, dentre eles Cleison Moreira, e o diretor-regional da Chesf, Paulo Rangel. Depois de desocuparem a área do escritório, os manifestantes, armados com foices, enxadas e facões, gritando palavras de ordem, voltaram a interditar a rodovia federal que interliga os estados da Bahia, Pernambuco e Alagoas. Como a maioria dos acampamentos e assentamentos, os manifestantes esperam a liberação de 15 mil cestas básicas prometidas, desde o dia 3 de julho, pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Roseta. Agora, há uma garantia do superintendente do Incra em Alagoas, Mário Agra, que as cestas básicas chegam no próximo dia 15. Mas, enquanto os alimentos não chegam nos assentamentos do Sertão e Agreste, os manifestantes prometem novos saques. No fim da tarde, o governador voltou a pedir calma e que os sem-terra confiem no governo do presidente Lula. Hoje pela manhã, integrantes da Comissão de Direitos Humanos, da PM e representantes do Incra se reúnem com os líderes do MST do Sertão.