Pinheiro e Mutange
Braskem começa a atender moradoras, mas ainda não fala em valores
Falta de cifras incomodou quem esteve na central montada pela empresa; movimento foi intenso no primeiro dia
O Início dos atendimentos na Central do Morador aconteceu na quarta-feira (18), no Ginásio do Sesi, no Trapiche da Barra, em Maceió. No local, os moradores no entorno da área de desocupação terão acesso à serviços e orientações sobre os processos de realocação e desocupação de imóveis, além de compensação financeira. O período da manhã foi marcado por grande movimentação, enquanto pela tarde a situação se normalizou.
A Central do Morador conta com 38 salas para auxiliar no atendimento individual, onde as famílias poderão saber os critérios e detalhes dos processos de realocação e de compensação financeira. Assistentes, psicólogos e técnicos sociais darão orientações sobre a realocação e especialistas em facilitação e mediação vão tratar do que tange às indenizações.
“Aqui as famílias passam por atendimentos com assistentes técnicos sociais, psicólogos, atendimento bancário e com Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil em Alagoas (OAB/AL). Todos buscando um contato com as famílias, no sentido de avançar dentro deste programa de compensação financeira e realocação, auxiliando no que pudermos fazer”, contou a responsável pelo espaço, Elaine Barbosa.
MORADORES
Segundo Aristóteles Augusto, morador de uma das áreas de resguardo da Braskem, pontos cruciais ainda estão sendo deixados de lado no atendimento. “Minha família está em uma das áreas de resguardo, então vim para ter alguma resposta, um auxílio no que fazer. O que eles [a Braskem] estão fazendo é importante, mas é a obrigação deles. E, sobre o que eu vi hoje no meu atendimento, está um pouco vago sobre o que toca ao financeiro”, contou. “Eles até dizem o que vão fazer e como vão conduzir, mas não estão falando de valores, e não vamos fingir que isso não é importante. Estamos extremamente ansiosos, porque a gente vem aqui e nos falam sobre outra reunião, sobre evacuação, mas no valor que será pago não falam. Fica tudo muito vago nessa parte financeira, só falam de reuniões e que estão resolvendo, mas não dizem nada. Vamos sair das nossas residências, não vamos receber nada, vamos para onde?!”, continuou ele.
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De acordo com Erilene dos Santos, também moradora da área de resguardo, o atendimento serviu para entender mais sobre como a Braskem vai agir com os moradores das áreas de risco. “As coisas não estavam muito claras antes, hoje foi mais esclarecedor sobre o que eles pretendem fazer e por enquanto está sendo bem útil. Eles não falaram sobre valores, mas falaram para que entrássemos em contato com um advogado ou defensor público, para então começar a falar em valores e fazer um acordo”.
“Apesar de não falarem sobre o imóvel, eles falaram do auxílio aluguel para moradores. Disseram que seria no valor de R$ 5 mil, mas não disseram datas ou prazos, nada de concreto. Sabemos que esse dinheiro será recebido, só não sabemos quando. Agora ficamos por esperar o contato deles e ver como a situação vai ser conduzida”, relatou a moradora.
* Sob supervisão da editoria de Cidades.