Cidades
Games violentos preocupam Juizado da Juventude
CAÍQUE MARQUEZ Já não é de hoje que o hábito de jogar videogames se tornou alvo de indícios e acusações do mal. Toda semana saem estudos que acusam os games de estimular a violência ou de isolar e alienar os jovens, infiltrando-se nos lares e concentrando-se em estabelecimentos ?suspeitos? chamados Lan houses. Em Maceió, essas casas de jogos eletrônicos em rede viraram uma febre. Em cada esquina é possível encontrar um estabelecimento lotado de crianças e adolescentes. O exagerado número de horas que alguns gamemaníacos dispensam na frente do computador tem preocupado o Juizado da Infância e da Juventude, que tem recebido constantes queixas de pais, educadores e psicólogos. O problema é que os games parecem viciar mesmo. ?De repente, estava jogando 15 horas por dia. Não agüentava mais jogar, mas continuava. Eu até parava de pensar de tanto jogar?, relata Ernani Araújo, 17, fã de Lan houses. ?Eu era desesperado. Só pensava no ?Counter Strike?. Não fazia mais nada, só ficava na Lan house?. Gabriel Lala, 17, conta que até perdeu a namorada por causa da obsessão por games. ?Ela não queria ficar comigo na Lan house?, justifica. Psicólogos afirmam que é cada vez mais comum ver casos de jogo patológico entre jovens, ou seja, casos em que a compulsão por games é tamanha que configura uma doença. ?Quem entra nessa nem sente mais prazer ao jogar, só tensão. Tem sintomas como os de um dependente de drogas, como insônia e baixo rendimento escolar. Já vi casos de jovens fazendo até pequenos furtos para conseguir o dinheiro para a Lan house?, frisou a psicóloga Denise de Sá Nunes. Ansiedade Ela explica que tais jogos podem levar a um estado de ansiedade, podendo chegar até a agressividade. ?Esse tipo de comportamento despertado no jovem e o excesso de estimulação prejudicial é bastante comum pelo fato de os pais, com exceções, é claro, geralmente serem muito permissivos e liberais. É importante considerar que hoje existe a dificuldade de os pais de impor limites aos seus filhos, em conseqüência até do próprio ritmo de vida, no qual cada um tem seus compromissos e o tempo para o convívio familiar é praticamente inexistente?, observou Denise Nunes. Para a psicóloga, é importante que todos os pais estejam próximos de seus filhos, demonstrando seus sentimentos, pensamentos e permitindo que seus filhos façam o mesmo. ?É preciso que um sempre procure saber do outro, demonstrando atenção, afeto e respeito mútuos. Dessa forma, o interesse do jovem pelos jogos eletrônicos, pelas drogas e por tudo que é proibido e passível de lhe prejudicar de alguma forma, deixará de existir. Ele se sentirá suficientemente seguro para se impor e distinguir o que lhe é ou não mais adequado?, explicou Denise Nunes. A coordenadora da orientação educacional de um colégio, que tem como vizinhos duas Lan houses, tem notado mudanças em alunos que estão sob o feitiço dos games. ?Alguns estão mais isolados, outros tiveram queda no rendimento escolar, e há aqueles que não têm mais paciência para fazer exercícios de elaboração mental mais complexa e lenta. Coincidência ou não, são os que têm se dedicado a jogar videogame?, ressalta a educadora, que pediu para não ser identificada. Defesa Apesar dos vários pontos negativos atribuídos aos videogames, há quem os defenda fervorosamente. ?Para mim, jogar videogames só trouxe coisas boas?, avalia André Pereira, 21, fã de jogos considerados violentos. ?Melhorei minha comunicação e meu conhecimento de informática, fiz vários amigos e, jogando em grupo, aprendi a trabalhar em equipe. Acho ridículo dizer que os games tornam o jogador agressivo. A violência está em todo lugar: em filmes e na TV. Não dá para usar os games como bode expiatório?, completou. André explica que, para ele, matar um oponente num jogo é só uma forma de ganhar a partida, e a sensação que isso provoca não é diferente da vibração depois de um gol. ?Um duelo de morte em um jogo como ?Quake 3? é uma batalha estratégica comparável a um jogo de xadrez. O mais rápido, astuto e esperto vence, isso que é legal?.