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EM 2019, MAIS DE MIL PESSOAS FORAM ASSASSINADAS EM ALAGOAS

Quase 10% das vítimas tinham menos de 17 anos; professor critica índices alarmantes

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Estatística aponta ainda que em torno de 68% dos assassinatos foram cometidos a tiros
Estatística aponta ainda que em torno de 68% dos assassinatos foram cometidos a tiros | Foto: CLARIZA SANTOS

Alagoas contabilizou a média de mais de três assassinatos por dia este ano – foram cerca de 1,1 mil – e quase 10% das vítimas tinham menos de 17 anos. A estatística criminal aponta ainda que, de janeiro a novembro de 2019, em torno de 68% foram assassinados a tiros. A maioria dos crimes aconteceu na periferia, região que concentra os bairros mais violentos, onde o tráfico de drogas ainda impera. Entidades que atuam na rede de atenção a crianças e adolescentes já alertaram sobre os altos índices de assassinatos de jovens nos estados brasileiros. Das mais de 65 mil vítimas de homicídios no Brasil em 2017, mais de 35 mil tinham entre 15 e 29 anos, o que representa 54,54% do total, segundo o Atlas da Violência publicado em junho de 2019. Professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), graduado em História, mestre em Sociologia e doutor em Ciências Sociais, Cícero Albuquerque afirma que não há motivos para comemoração quando há um índice de violência como o de Alagoas, historicamente um dos estados mais violentos do país. “Nós somos uma sociedade absolutamente violenta e nos acostumamos, infelizmente, a conviver com isso, como se índices tão elevados pudessem ser comemorados”, lamenta.

MORTES ESTÃO LIGADAS AO TRÁFICO

A promotora Marluce Falcão, coordenadora do Núcleo de Direitos Humanos do Ministério Público Estadual (MPE), ressalta que há uma política pública voltada ao combate da criminalidade em Alagoas que tem dado resultados, mas é preciso investir mais. “Só que a nossa luta é muito maior, porque estamos com o crescente número de tráfico de drogas na nossa capital e também nas cidades do interior. Nós já estamos aqui (em Maceió) com as duas facções mais perigosas do Brasil, agindo e brigando por território. Então, muitas vezes, eu como promotora criminal, também tenho a visão de que essas mortes de pessoas tão jovens sempre estão ligadas ao submundo do crime, à criminalidade voltada para o tráfico de drogas, porque é a faixa etária da sociedade que mais é aliciada”, afirma. Para o professor da Ufal, a quantidade de homicídios em Alagoas é escandalosa. “Na nossa sociedade, temos uma perversão na convivência e isto nos leva a praticar a violência, às vezes por motivos fúteis. E essa violência que nós estamos identificando, importante seria destrinchá-la e entender o que é a violência privada, aquela cometida entre indivíduos, entre grupos. E a violência pública, porque é importante também que a gente apure o papel do Estado tanto no combate à violência quanto na promoção da violência, na efetivação dela. Portanto, esse índice (de mortes) é um índice escandaloso. Nós temos que ter vergonha de viver numa sociedade com uma violência tão brutal”, declara Cícero Albuquerque.

É PRECISO OFERECER OPORTUNIDADES, DIZ PROMOTORA

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Marluce Falcão explica que é preciso dar mais oportunidades aos que vivem na periferia. “Precisamos entrar, sim, com muitas medidas preventivas, alcançar essa juventude, dar a ela outras perspectivas para que possa não entrar no tráfico, porque uma vez que entra, passa a ter umas regras de conduta ditadas pela própria criminalidade e muitas delas culminam exatamente na execução, no assassinato. O que vemos muito, principalmente na criminalidade na periferia, é a morte de jovens envolvidos no tráfico; isso a gente sabe porque são histórias contadas pelas próprias famílias”. De acordo com a coordenadora do Núcleo de Direitos Humanos do MPE, não adianta somente combater a criminalidade se não for feito um trabalho de base, ocupando e dando oportunidade de emprego aos jovens. “Para que possam estudar, trabalhar e dar dignidade às suas famílias. Essa é a nossa luta. Não há nada mais triste do que ver um jovem tombar, perder sua vida e seus sonhos. Essa criminalidade não tem freios. É um triste número, mas infelizmente é o resultado dessa criminalidade que está crescendo em Maceió através das organizações e facções criminosas. Quanto mais nós nos colocamos cegos com essa realidade, mais estamos tornando essas pessoas invisíveis. Eles existem e gritam por socorro”, detalha a promotora. O Núcleo de Direitos Humanos do MPE atua junto às minorias, provocando a atuação dos órgãos executivos, visando prevenir atos de tortura, assim como o tratamento desumano e degradante, além de promover a integração do Ministério Público com a sociedade civil.

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