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PROTESTOS CONTRA AUMENTO DE PASSAGEM VIRAM ESPAÇO PARA REIVINDICAÇÕES

Moradores conseguiram reunião com o Ministério Público; à tarde, partidos políticos aproveitaram para fazer ato no Centro

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O que deveriam ser protestos contra o aumento da passagem de ônibus em Maceió, no dia de ontem (6), foi além e acabou se transformando em movimento de reivindicações de moradores das comunidades de Garça Torta e Benedito Bentes e em ato político de partidos de esquerda, que se preparam para disputar as eleições deste ano na capital. Entre os manifestantes, haviam alguns estudantes e moradores que reclamavam da qualidade do serviço de transporte coletivo e do novo valor da tarifa, que vai dos atuais R$ 3,65 para R$ 4,10, decisão já tomada pelo Conselho Municipal de Transportes.

Para passar a valer, a nova tarifa ainda precisa de aprovação da prefeitura do município – sanção do prefeito Rui Palmeira (PSDB). Os protestos tiveram início pela manhã, quando manifestantes fecharam parcialmente trecho da rodovia AL-101 Norte, em Garça Torta e outro grupo se mobilizava no bairro do Benedito Bentes, nas imediações do terminal de ônibus. Para garantir a liberação da via, militares do Centro de Gerenciamento de Crises da Polícia Militar estiveram nos locais, ocasião em que líderes comunitários apresentaram suas reivindicações. Diante das solicitações, feitas pela Federação das Associações de Moradores e Entidades Comunitárias de Alagoas (Famecal), representantes das duas comunidades foram recebidos no Núcleo de Defesa da Saúde Pública do Ministério Público Estadual de Alagoas (Nudesp/MPAL). Entre as queixas apresentadas, uma das quais relacionada à questão do aterro sanitário da capital. De acordo com informações do Centro de Gerenciamento de Crises da PM, os manifestaram também relataram supostos problemas, relacionados a poeira, chorume e poluição de riacho, segundo eles, provocados pelo transporte de lixo até o aterro sanitário de Maceió, que fica na área do Benedito Bentes e também próximo à comunidade de Garça Torta.

O caso foi apresentado ao promotor Paulo Henrique Prado, no Nudesp. Ainda conforme o Gerenciamento de Crise, que teve representantes presentes ao encontro, também ficou definida nova reunião, para essa terça-feira, no Núcleo de Meio Ambiente do MPAL, já que as lideranças comunitárias haviam citado caso de poluição em riacho e que também seria supostamente provocado pelo aterro sanitário. Além destas questões, segundo declarações do presidente da Famecal, Antônio Sabino, eles ainda pediram linhas de ônibus na Grota do Andraujo (Garça Torta), o retorno de duas linhas que passavam pelos conjuntos Carminha e 1º de Julho (no Benedito Bentes), além da volta do trajeto Ufal/Ipioca. Apesar dos encaminhamentos ocorridos após o protesto, que acabou utilizado pelos moradores para abordarem outras questões, órgãos da prefeitura não tinha sido contactados sobre os assuntos, nem mesmo a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente (Sedet), responsável pelo contrato com a empresa que administra o aterro sanitário, ou com a Superintendência de Desenvolvimento Sustentável, que realiza o monitoramento e fiscalização dos serviços no local. No período da tarde, em outro protesto contra o aumento na passagem, desta vez no Centro da cidade, no calçadão da Rua do Comércio, representantes de partidos como PT, PDT e PCdoB utilizaram microfone para chamar a atenção das pessoas que passavam.

Na ocasião, criticavam as condições do transporte coletivo e a situação das “ruas esburacadas”. A manifestação se transformou em ato político dos partidos, que já tornam público interesse em disputas às eleições deste ano à prefeitura e a vagas na Câmara de Vereadores. Populares que passavam pelo local também reclamaram os reajuste que está para ser aprovado.

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“A maioria da população alagoana vive com um salário-mínimo, e nós, estudantes, menos ainda, de bolsas. Mais R$ 200 de passagem por mês afeta muito o nosso orçamento”, declarou Juan Douglas Silva, estudante de Serviço Social. Ele se posicionou contra o controle total das empresas nos trâmites do transporte, que, para ele, deveria ser público. O pedreiro José Agnaldo disse que faz uso do transporte público diariamente e classificou o reajuste como um absurdo. “É um absurdo, deveria baixar. Isso afeta muito a vida de um pai de família”, destacou. O estudante de Ciências Sociais Lucas Rocha do Nascimento considerou que o transporte é precarizado. Ele, que é cadeirante, disse que, apesar de o ônibus cobrir suas necessidades especiais, o serviço não é compatível com o preço.

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