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Caso Motrisa

APÓS QUASE SEIS ANOS, MORADORES AINDA ESPERAM INDENIZAÇÕES

Desabamento de silo do Moinho Motrisa, em 2014, deixou consequências físicas e financeiras

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O cenário não é mais de abandono, mas a nova normalidade não chega exatamente a agradar. Quase seis anos após o desabamento de um dos silos do Moinho de Trigo Indígena S/A, os moradores da Vila Nossa Senhora do Carmo, que fica por trás do famoso Moinho Motrisa, seguem indignados e ainda não viram um centavo da indenização. Com danos que vão de imóveis a reflexos no próprio corpo, como lesões nos nervos, falta esperança após tanto tempo.

Do período do acidente até agora, não faltaram reuniões, promessas, geração de expectativa e protocolos a serem seguidos para quem teve sua casa atingida, dentre as 26 da vila. Porém, o susto sofrido em 7 de abril de 2014, não parece comover os empresários e continua na mente de quem viu tudo de muito perto.

Genisia Cornélio de Araújo tem 73 anos, mora na vila há 40, e já não tem muita esperança. Ela e a amiga Judite da Silva aproveitavam o fim da manhã quando conversaram com a reportagem. “Botaram na Justiça. Tá vendo aquela casa ali? Foi bem ali que caiu e nunca fizeram nada. A gente não pode fazer mais nada. Estamos só esperando sair”.

Genisia sofreu uma lesão em um nervo de sua perna direita após o ocorrido, mas também conta que sempre lutou para não se mudar do lugar onde vive. “A moradia aqui é ótima, nunca entrou um ladrão, nada, nada. Mais de 40 anos que moro aqui. Criei meus filhos, meus netos, e nunca aconteceu nada. O que eu sofri mesmo foi o susto. Pensava que era uma árvore caindo”.

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Dona Eleuza Cavalcante é costureira, moradora do local há 30 anos, e foi uma das mais afetadas com o desabamento. Sua casa é a de número 45 e fica exatamente atrás dos silos maiores - de abril de 2014 para cá, dois novos silos, menores, foram construídos ao redor da vila. A parte superior da casa, que ela costumava alugar, foi a mais afetada.

“A situação não mudou nada, é a mesma coisa. Faz seis anos dia 7 de abril e até agora não temos solução nenhuma. Tenho duas casas e as duas ficaram quebradas. Gastei todas as minhas economias para consertar, nunca tive ajuda de ninguém. Eles realizam reuniões, mas sempre fica a mesma coisa. Dizem que depende do juiz, é só o que a gente fica sabendo, que o juiz que vai decidir”.

Eleuza está com 76 anos, é dona de uma loja na Feirinha do Artesanato, na Pajuçara, e chegou a gastar R$ 40 mil com os prejuízos acumulados por causa do desabamento. “Fiquei com a minha lojinha fechada, justo perto de junho, quando tenho muita encomenda. Eu tinha uma encomenda de 100 toalhas de renascença, cada peça por R$ 600, e não tive como cumprir. Minhas clientes de roupa de quadrilha eu perdi também, porque o maquinário fica aqui em casa. Tive um prejuízo muito grande. Gastei aproximadamente R$ 40 mil para reformar a casa, resolver as minhas coisas, porque não quis ficar dependendo de ninguém. Ainda esperei durante um ano, segui todos os protocolos que eles disseram, e não recebi nada”.

Sua vizinha é dona Meire, que aguardou pela reforma encaminhada pela empresa. “Eles vieram muitas vezes aqui. Toda vez voltam para consertar mais alguma coisa. Do Moinho eu não tive ajuda nenhuma. Eles pagaram aqueles apartamentos só. Eu vivo de aposentadoria e de uma pequena pensão que meu marido me deixou. Eu estou com 82 anos e não sei quando vou ver a cor desse dinheiro. Quero usufruir e não tenho tempo pra ficar esperando”.

CASO NA JUSTIÇA

Os moradores estão com uma ação coletiva na Justiça, iniciada ainda em 2014. Na época, o advogado Múcio Arruda, responsável pela defesa de 37 moradores da vila, acreditava que o julgamento ocorreria até o final do primeiro semestre de 2016.

Em entrevista ao G1 Alagoas no ano do acidente, o Motrisa dizia não ver motivo para que os afetados recebessem indenização. “Acredito que não devem ser indenizados. O Motrisa sempre esteve disposto a pagar pelos danos materiais causados”, destacou a advogada Andréa Maria Lyra Maranhão.

A Gazeta de Alagoas tentou contato com os atuais advogados do caso, mas, até o fechamento desta edição, não obteve retorno.

* Sob supervisão da editoria de Cidades.

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