Cidades
MS MANDA ESTADO USAR INSETICIDA VENCIDO
Mais de 20 mil quilos de inseticidas vencidos há mais de um ano vão pode ser utilizados pelos agentes de endemia
Em ofício publicado na última quarta-feira (15), o Ministério da Saúde (MS) autorizou o uso de mais de 20 mil quilos de inseticida que estariam vencidos há mais de um ano. Agentes de endemia discordam de decisão e afirmam que o produto não tem eficácia e pode deixar população desprotegida em época de surto de dengue e outras doenças transmitidas pelo Aedes Aegypti.
No documento, o Ministério de Saúde, em conjunto com a Secretaria de Vigilância em Saúde, confirma que os produtos estão com prazo de validade expirado e sugere a extensão do uso até o dia primeiro de Junho deste ano.
A ampliação do prazo de validade foi proposta através de um estudo encomendado pelo MS e realizado pelo Laboratório Ecolyzer, onde foi atestada a eficácia dos produtos e a recomendação da extensão do uso pelos agentes de endemia, considerando o bom armazenamento e o bom estado de conservação das embalagens.
O documento não indica participação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) neste processo.
Segundo Maurício Sarmento, presidente do Sindicato dos Agentes de Saúde de Alagoas, os inseticidas tem data de fabricação do ano de 2017 e só podem ser utilizados no período de um ano, portanto, estão vencidos há mais de um ano.
Maurício denuncia, ainda, a falta de planejamento na compra destes produtos, que acabou gerando o acúmulo em estoque e, consequentemente, o vencimento de grande parte. “No momento da compra não teve planejamento, acabou nesta situação de excesso e nós vamos ter usar estes produtos que não tem eficácia”, afirmou o presidente.
A categoria de agentes de saúde se preocupa com a exposição da população em período onde há surto de doenças transmitidas pelo mosquito Aedes Aegypti e os produtos utilizados para prevenção estando com prazo de validade vencidos.
“Maceió está na rota de surtos de dengue. É uma das 11 capitais brasileiras com iminência de surto de doenças como a dengue, zika e chikungunya. A população, infelizmente, está correndo riscos”, lamentou Maurício Sarmento.