Cidades
Acidente de trabalho mata 36 pessoas por dia
ANA MÁRCIA Três mortes a cada duas horas ocorrem no Brasil por acidentes de trabalho, além de três acidentes por minuto, gerando seqüelas e prejuízos financeiros e pessoais, segundo dados apresentados, ontem, pelo auditor fiscal da Previdência Social, Paulo Rogério de Oliveira, referentes apenas às Comunicações de Acidentes de Trabalho (CAT). Por dia útil, são 12,25 mortes, segundo a Previdência. Paulo Rogério esteve em Alagoas para apresentar palestra sobre o Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP), que será o único documento exigido para obtenção de aposentadoria especial. O PPP significa um mapeamento atualizado das condições laborais e ambientais do futuro colaborador, constituindo-se num relatório para utilização previdenciária. Seu objetivo é desburocratizar as empresas nas aposentadorias especiais. Para explicar o valor deste documento, Paulo Rogério fez um relato da importância de as empresas empregadoras investirem não apenas na gestão patrimonial, que presta contas de todo o capital envolvido. A gestão hominal, que envolve o homem, o trabalho prestado por ele, está sempre num polo oposto. ?Em geral não se prima pela gestão hominal, que numa ordem social resulta no trabalho?, falou o especialista, ao divulgar dados elevados de acidentes de trabalho, que poderiam ser prevenidos e evitados com ações efetivas de segurança, como ocorre em se tratando de gestão do patrimônio das empresas. ?A Previdência não está contra o sistema de capital/trabalho/lucro, mas a maior incidência de acidentes de trabalho ainda ocorre na indústria?, informou, ao ressaltar que 42% dos casos devem-se ao mau gerenciamento da iniciativa privada em relação à saúde do trabalhador. O problema gera a concessão de mais de um milhão de benefícios ao ano e uma legião de mutilados. ?Cabe à empresa prevenir riscos, ao INSS conceder benefícios, aos sindicatos e DRT fiscalizar as empresas e ao SUS prestar assistência médica ao trabalhador?, disse Paulo Rogério. O déficit gerado com acidentes de trabalho chega a R$ 17 bilhões na Previdência Social. Os problemas são os mais diversos e dependem do perfil de cada empresa, desde as dermatoses, distúrbios ósseos e musculares, distúrbios mentais, entre os quais a depressão, surdez, além das mortes fulminantes por acidentes. ?Caso haja uma deficiência na empresa e ela negue, isso é facilmente comprovável com fiscalização, além de indenização, a empresa poderá ser enquadrada em contravenção por questão de segurança no trabalho, respondendo por esse crime?, disse Paulo Rogério. A integridade física do trabalhador deve ser observada na área mecânica, ergonômica e ambiental. O PPP, de acordo com Paulo Rogério de Oliveira, vem facilitar à boa empresa, desburocratizando o setor.