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Cidades

AL REGISTRA QUASE MIL CASOS DE GRÁVIDAS COM HIV EM DEZ ANOS

Especialistas dizem que tratamento deve começar o mais rápido possível para que o vírus não afete saúde dos bebês

Por greyce bernardino | Edição do dia 01/02/2020 - Matéria atualizada em 04/02/2020 às 09h51

Casos de grávidas com HIV vêm preocupando especialistas a cada ano. No período analisado, entre 2009 e 2018, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) apontou que 967 gestantes de Alagoas foram contaminadas pelo vírus, que ataca o sistema imunológico. Já em Maceió, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) contabilizou 58 casos no último ano, contra 64 em 2018. Para a coordenadora do Programa Estadual de Combate às Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), Sheila dos Anjos, é necessário que as gestantes comecem o tratamento o quanto antes, para que o vírus não venha a afetar a saúde dos bebês. “Nossa preocupação com a gestante é com relação a transmissão vertical, ou seja, a transmissão dessa mulher para o bebê que vai nascer. Se essa mulher, até a 14° semana de gestação, iniciar o tratamento e durante o parto tomar o antirretroviral durante 30 dias, além de excluir a amamentação a bebê, essa criança tem menos de 1% de chance de ser infectada. No entanto, se a mãe não fazer nada, essa chance sobe para 25%”, informou. Ela também pontuou cuidados que devem ser tomados pelas gestantes infectadas. “É necessário que elas usem o preservativo durante a gestação, que tomem a medicação passada pelo médico, além de ficarem atentas na hora do parto. Após o nascimento, no entanto, as crianças devem ser acompanhadas por cerca de 18 dias, para saber como anda a saúde delas”, explicou. “Já no caso de mães serem infectadas após o nascimento, é necessário que o bebê comece a fazer o tratamento após os dois meses de vida. Porém, a criança só é infectada se tiver uma imunidade muito baixa e não possuir hábitos saudáveis”, completou Sheila dos Anjos. Atualmente, nos 102 municípios de Alagoas, é ofertado o teste rápido, um aliado ao diagnóstico do vírus no sangue. “Exames que detectam qualquer DTS são indispensáveis. Contudo, tem outros exames que as gestantes vão fazendo de acordo com o protocolo do Ministério da Saúde (MS)”, frisou a especialista, que acrescenta: “Numa série histórica, estamos tendo uma média de 100 a 110 casos de gestantes infectadas anualmente. Se eu comparo com 10 anos atrás, é um número alto. E por qual motivo isso está acontecendo? Hoje temos a questão do teste rápido disponível nas unidades básicas, nos hospitais e nos serviços de referência. Antes, a população não tinha tanto acesso a isso. A gestante só descobria quando tinha Aids ou HIV quando já estava adoecida. Hoje, no entanto, se você tiver fazendo uma consulta clínica e na unidade hospitalar estiver oferecendo o teste e você procurar a equipe, ela oferta. Isso é um dever”, esclareceu Sheila.

PAM SALGADINHO

A direção do Bloco I, do PAM Salgadinho, um dos locais onde o teste rápido é feito, representada pela coordenadora Géssyka Melo, informou que uma média de 40 exames assim são feitos diariamente no posto, sendo a metade pela manhã e a outra no horário da tarde. No PAM, o atendimento aos usuários é feito nos dois horários - de 7h às 17h -, e de segunda a sexta-feira. Dois serviços são oferecidos aos pacientes no Bloco I: o Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), onde as pessoas fazem o teste de HIV, sífilis, hepatite B e C, e o SAE (para onde as pessoas com diagnóstico positivo dos vírus são encaminhadas). Os usuários que se dirigem ao PAM e pedem o teste de HIV são levados para o centro e, de forma sigilosa, conversam com os profissionais antes e depois de receber os resultados. “É comum os visitantes preferirem procurar o PAM, ao invés de um posto de saúde. Alguns relatos é de que muitos do interior do Estado procuram a testagem porque tem medo de ser reconhecido em um outra unidade hospitalar. O Bloco I é também tem um diferencial, por ter atendimento individual, deixando todos mais à vontade para tirar dúvidas”, expôs. Por fim, Melo esclarece que um pequeno furo é feito no dedo do paciente e os quatro exames são colhidos (HIV, sífilis, hepatite B e C). O laudo chega a ser divulgado em, no máximo, quarenta minutos. Em seguida, o usuário é conduzido para o aconselhamento pós-teste.

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