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Munic�pio se transforma em laborat�rio do Fome Zero

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Detentora do terceiro pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dos 5.507 municípios do Brasil, Guaribas, município piauiense foi ?descoberta? como um dos laboratórios do programa Fome Zero, iniciado em março. Além de beneficiar inicialmente 500 famílias com R$ 50 para a compra de comida, o município assistiu à chegada de uma série de ações que mudou a paisagem e a situação dos moradores. ?Nunca ninguém na face da Terra olhou por nós. A gente vivia jogado, como Deus criou batata?, conta Tereza Rocha. ?Vi muita gente morrendo aqui por falta de uma coisinha ou outra, uma ajuda, um ?adjitório? qualquer?. Em associação com o governo federal, o governo do Estado traçou um plano de desenvolvimento para o município. Um dos problemas mais graves, como em toda a nação do semi-árido nordestino e mineiro, é a falta de água em boas condições para uso. Um projeto, ainda em fase experimental, já permitiu que as donas de casa- por causa da cultura machista não se vê homem carregando uma lata de água - tivessem acesso ao abastecimento na cidade mesmo. ?Antes a gente tinha de andar um bocado, subir uns lajedos, um aperreio?, diz Nalva Alves Rocha, de 23 anos. ?Guaribas agora faz parte do mapa?, repete. Um processo de tratamento de um reservatório no centro da cidade, desenvolvido por técnicos do governo do Estado como parte do chamado ?Sede Zero?, começou a mudar esta rotina. A lata d?água continua na cabeça, mas a distância já é menos sofrida. Ao invés de até quatro quilômetros, a água agora fica a alguns metros da porta de casa. A mesma equipe estuda a escavação de vários poços artesianos na cidade e nos povoados. É um desafio da administração estadual levar água para todos os 4.814 guaribenses. Filas Logo ao amanhecer do dia, a fila se forma diante do reservatório. ?Meu filho, a gente pode dizer que já luxa. Vocês não têm idéia de como a gente vivia?, narra Valda Alves da Silva, que administra o Hotel Ferreira, o pioneiro, inaugurado este ano, apelidado de ?abrigo das autoridades?. Entre redes espalhadas no salão de entrada e camas nos quartos, tem capacidade para ?umas trinta cabeças?. O banho ainda é de cuia, mas o chuveiro está a caminho. Faz parte do 1% de domicílios com banheiro na cidade. As condições econômicas miseráveis, a falta de água tratada e a desnutrição fizeram de Guaribas um lugar onde a expectativa de vida é de 56,11 anos, muito abaixo da média nacional de 68,1 anos. A mortalidade infantil ainda tem feições africanas, com 59,9 a cada mil crianças - a média brasileira é de 29,6. Não há estatística oficial, mas a coordenação do programa Fome Zero na área informa que não há registro de mortes de crianças nos últimos três meses.

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