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Cafet�es: garotas de programa de 18 a 25 anos s�o exploradas pelo com�rcio do sexo, gerando lucro em cabar�s, que variam de status conforme o bairro

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Ródio Nogueira Elas têm entre 18 e 25 anos e se consideram vítimas de algum tipo de violência. Estupro, decepção com o casamento e falta de emprego. São bonitas e facilmente descobertas pelos cafetões, que chegam a faturar muito dinheiro para ?empresariar? as meninas de vida nada fácil. Mas não existe saída. É pegar ou largar no mundo-cão da noite em Maceió. A maioria procede do interior do Estado e é objeto de lavagem cerebral. O cafetão não deixa por menos e explora até o último pingo de sangue de sua contratada que, na verdade, é a grande vítima do sistema podre imposto por alguns donos de cabarés espalhados por ruas tradicionais da capital alagoana. Elas também são apelidadas de ?escravas brancas? porque muitas vezes não podem se libertar do estabelecimento onde ?prestam serviços? pois a cota determinada pela gerência da casa não foi alcançada. Então, ela deve dinheiro ao dono do estabelecimento e só pode cruzar a porta da rua quando, efetivamente, saldar o débito assumido quando de sua chegada para iniciar o ?trabalho?. Os cabarés variam muito de status, conforme o bairro. Os melhores e mais conhecidos estão instalados basicamente no centro de Maceió. E não é qualquer pessoa que pode ter acesso. Logo na entrada homens trajando ternos pretos lembram a figura do lendário Al Capone. O cliente é muito bem recebido, porque tem dinheiro e vai melhorar a conta bancária do dono da casa. Dentro do imóvel ele recebe um álbum fotográfico com as fotos mais sexies das estrelas da casa. Para aliviar a tensão, água bem gelada. Depois da escolha é servido uísque gelado. A noite está apenas começando, porque a cada atração a despesa cresce e faz muito bem à vida mansa dos ?donos da noite?. Preços Os preços dos programas variam entre 100 e 200 reais. Mas é bom ficar atento, porque o usuário está pagando apenas a mulher. A suíte custa 50 reais, por ser considerada cinco estrelas. Uma dose de uísque custa 15 reais. Os salgadinhos ficam entre 5 e 8 reais e o cigarro importado, apesar de não ter preço definido, custa caro. No final da noite o cliente tem que desembolsar pelo menos 500 reais, pois também é preciso gratificar os funcionários da casa. O pagamento pode ser feito em cheque. O final da contabilidade é explicado assim por uma mulher da noite: ?Na verdade, o valor do programa determinado pela casa está entre 100 e 200 reais. Só que, no final do expediente, lá pelas 5 horas da manhã, o proprietário desconta a suíte, alimentação, bebida, cigarro . Então, ele fica com o filé e paga, no máximo, 50 reais para suas freqüentadoras, que não podem reclamar, sob pena de serem colocadas para fora?, denuncia Eveliny Mainarde, de 22 anos, natural da cidade de Caicó, no Rio Grande do Norte. Mas a exploração não para por aí. O cafetão tem de receber sua parte e leva vinte reais. Resultado, a noite foi longa e lucrativa para o empresário, mas ela faturou apenas 30 reais, apesar de ter feito tudo na cama para agradar o cliente. Suzy Lipp, 22, natural do Recife, diz que nasceu em Boa Viagem e muito nova resolveu conhecer a misteriosa vida das mulheres da noite. Explica que sofreu forte influência do cinema e da televisão. Veio para Maceió com uma banda de rock e por aqui ficou, depois de conhecer uma casa de espetáculos em Cruz das Almas. Emoções Se apaixonou por um médico aposentado, que lhe trava como rainha. ?Era um bom homem, mas velho demais para mim. Eu queria viver emoções fortes e acabei parando no lugar certo. Estou em Maceió há dois anos e apesar de ser considerada de cinco estrelas não pude comprar sequer um carro velho. Sobrevivo nas noites a duras penas?, ressalva. Ela afirmou que, a exemplo de Eveliny Mainarde, também é vítima do sistema. Lembra que veio para Maceió com uma banda e que conheceu um homem que se apresentou como empresário da noite, quando na verdade se tratava de uma cafetão. Cheia de ódio, ela relembra que ficou presa a ele vários meses, conseguindo se libertar apenas quando ameaçou denunciar a escravidão às policias Civil, Federal e Militar. ?O sujeito me deixou em paz?, lembra. Ela salienta, no entanto, que cobra entre 100 e 200 reais por cada programa, mas quem fatura é a casa, que não pode perder um centavo. ? Veja bem. Eu estou abrindo o jogo, mas não posso mostrar meu rosto. Quero, com isto, denunciar como a mulher da noite é explorada por cafetões e alguns donos de casas de shows que recebem proteção de alguns policiais. É o mundo-cão imposto por bandidos travestidos de homens da noite, nas barbas de algumas autoridades que preferem fazer vista grossa, ao invés de combater o comércio que está sendo conduzido de forma irregular. Sei de casos de mulher que contraíram Aids porque o estabelecimento onde trabalhava não oferecia condições. Aproveito a oportunidade para pedir que estas casas noturnas sejam fiscalizadas, pois com certeza o Ministério Público e o Juizado da Infância e da Adolescência vão detectar as mais diversas irregularidades cometidas pelos falsos empresários da noite. Eu, no entanto, não posso aparecer, sob pena até de ser vítima de um seqüestro seguido de assassinato. Trabalho na casa de um homem truculento?, finaliza a dançarina Suzy Lipp.

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