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Travestis invadem espa�o das mulheres

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RÓDIO NOGUEIRA A vida desgastante, humilhante e perigosa das mulheres da noite enfrenta a presença constante de travestis em seu caminho. É a concorrência que divide os metros quadrados dos bares e inferninhos que funcionam na periferia de Maceió. É o chamado clube fechado, onde vale tudo e todos têm o direito de brigar e faturar algum dinheiro às duras penas para sobreviver. Mas o clima nem sempre é de cortesia entre mulheres e travestis. Existem casos que foram parar na delegacia de polícia onde tudo se resolve a bem da paz entre as partes envolvidas. Mas quando um travesti toma, na cara de pau, algum cliente de mulher, o tempo fecha e as penas voam pelas calçadas da Avenida Antônio Gouveia, na Pajuçara. Os escândalos nas madrugadas acordam moradores e provocam a vinda de policiais para evitar derramamento de sangue. Maria Silvia Lins, 20, reside no Poço e está no ramo há dois anos e disse que não divide seu espaço com travesti e que cada um tem que ficar na sua de forma respeitosa. Silvinha, como é conhecida na noite, diz que respeita o espaço do que ela prefere chamar de ?bicha?, e afirma que esta conversa de bicha querer ser mulher não existe. ?Defendo que os espaços sejam respeitados a rigor. Agora esta gente querer se infiltrar na nossa área não pode ser permitido?, relata Silvinha, que teme ter problema por conta de ser contra a presença de travestis em lugares de mulheres. Para Lourdes Moreira, 18, residente na Rua Campo Verde, no Vergel do Lago, ?mulher é mulher e bicha é bicha, então eles têm que cuidar do seu espaço e deixar as mulheres em paz. Eu, pessoalmente, nunca vou querer me misturar com esta gente para tomar os homens deles. Logo, quero distância das bichas. Aliás, alguns usam drogas e praticam assaltos. É por conta destas atitudes que os pontos de prostituição estão sendo visados pela polícia?, explica Lourdes Moreira, a Tiazinha. Nivea Santos, 19, reside no bairro da Cambona e disse ser radicalmente contra a mistura de travestis e mulheres, porque não dá certo. Ela lembra que, para começar, ser travesti é ridículo e ainda mais querer competir com as fêmeas que fazem a festa dos homens. Sou radical e quero distância deste tipo de gente que espalha o terror entre meus clientes, praticando assaltos e usando drogas?, afirma Nivea Santos, que diz ser conhecida por Nivinha da Pajuçara.

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