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Pobres disputam espa�o no mercado do sexo

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RÓDIO NOGUEIRA A exploração sexual não vive apenas de luzes, charme, carrões, mulheres bonitas, bebida importada e muito dinheiro. Tem o seu lado pobre, discriminado, esquecido, sujo e cheio de trapaças. As ?casas de espetáculos?, como são denominadas por seus proprietários, estão localizadas na Levada, Cambona, Vergel do Lago, Ponta Grossa, Prado, Bebedouro e Tabuleiro do Martins. Elas estão cheias de cafetões por todos os lados ? neste mercado a presença desses profissionais é regra. As mulheres não têm álbum fotográfico e têm pouca beleza ou quase nenhuma. Não cobra uma fortuna por um programa. Qualquer dez reais e uma cerveja está de bom tamanho. O cafetão, evidentemente, pega sua parte por que nesta vida ninguém é de ninguém e todo mundo tem que sobreviver. A sociedade vê tudo à distância e deixa a vida passar. Cada cidadão tem sua opinião formada sobre este tipo de comércio que cresce a cada dia com o surgimento de pontos de ?negócios? que logo são descobertos e freqüentados todas as noites. As mulheres simples e sem luxo procuram se produzir para atrair os pares e ganha algum dinheiro. Mas tem que se submeter a todos os tipos de homens e suas taras sexuais. É preciso ir para a cama com alcoólatras, drogados, tuberculosos, cafetões e pessoas violentas sob pena de virar a noite na ruas e não ganhar um centavo. Mas para chegar até lá a figura do cafetão é fundamental. Ele conhece todos os bares e casas de espetáculos. Está enturmado no ramo e sabe quem é quem. No entanto, quer a garantia de que vai levar vantagem por menor que seja o lucro de sua contratada. Gilvonal Pereira da Silva Farias tem 30 anos e acabou de perder o seu meio de vida. ?Era camelô no centro da cidade. Um dia, os fiscais da prefeitura apreenderam meus lotes de isqueiros avaliados em 280 reais. Resultado: estou desempregado e botei minha mulher para transar e ganhar algum dinheiro. Quem quiser me chame de cafetão que eu não estou nem aí?, explica Gilvonal Pereira Silva. Vida e morte A noite dos bares, motéis e inferninhos da periferia de Maceió reserva histórias de vida ou morte. Histórias de pessoas desesperadas porque têm que se submeter a todo tipo de capricho para ganhar algum dinheiro e levar para casa. Muitas chegam a pedir um vale-transporte para voltar para casa e no dia seguinte voltar para o mesmo ponto. Ângela Maria tem 38 anos e três filhos. O mais velho, com 12 anos, é portador de câncer na garganta e pulmão. Ela está no ramo há menos de cinco meses e é analfabeta. ?Os pais dos meus filhos me deixaram e sumiram da minha vida. Tentei conseguir emprego como doméstica, mas não consegui. Tem noite que eu não consigo dinheiro nem para tomar um refrigerante?, lamenta Ângela Maria, que disse residir no Tabuleiro do Martins. Ana Lúcia tem 20 anos e estuda Psicologia em Maceió. Depois de uma grande decepção amorosa, começou a fazer programas com colegas da faculdade por puro prazer. Com o tempo viu que era muito requisitada e resolveu investir no negócio. ?Meus pais pagam a faculdade e eu tenho uma pequena mesada. Com ela, compro roupas e produtos de beleza para me apresentar bonita. Estou gostando do meio de vida, apesar de saber que um dia meus pais vão acabar descobrindo?, frisa Ana Lúcia, que gosta de ser chamada por Lúcia Boazuda.

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