Cidades
Acidentes com motos e bicicletas aumentam
FÁBIA ASSUMPÇÃO O número de acidentes de trânsito envolvendo motociclistas e ciclistas vem aumentando a cada dia em Maceió. De acordo com o Setor de Estatística da Unidade de Emergência Armando Lages, 645 vítimas de acidentes de moto deram entrada no pronto-socorro em 2002. Isto representa mais de três vítimas por dia. Este ano, até junho, já foram registradas 391 entradas pelo mesmo tipo de acidente. As estatísticas mostram que, por dia, são atendidas no pronto-socorro de emergência do Estado uma média de duas vítimas de acidentes com moto. Em relação a acidentes com bicicletas, o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) registrou 117, sendo 90 com vítimas. Este ano, até junho já ocorreram 56 acidentes com bicicletas, 38 deles com vítimas. De 2000 a 2002, a média de acidentes de bicicletas com vítimas chegou a 81,5%. Com a crise econômica e o elevado preço da passagem de ônibus, muitos trabalhadores têm optado por utilizar bicicletas e motos como meio de transporte. Acidentes As facilidades oferecidas para a compra de motos hoje são muitas e o interessado pode pagar prestação mensais que não chegam a R$ 100,00. Além disso, há uma economia maior no consumo de gasolina. Já para os trabalhadores de menor renda, a alternativa tem sido o uso de bicicletas. Nas principais avenidas de Maceió, como a Juca Sampaio, no Barro Duro e Fernandes Lima, no Farol, é visível o crescente número de ciclistas. Só que a maioria deles mostra que não tem muita prudência no trânsito. Muitos andam pela contramão e chegam a formar filas duplas na pista, aumentando o risco de colisão com os veículos. A diretora de Articulação e Informação da UE, Valquíria Padilha, explica que os acidentes envolvendo condutores de moto são freqüentes na Unidade de Emergência, mas aumentam ainda mais em períodos de feriados ou festas. ?Hoje, a maior causa de morte na Unidade de Emergência é de vítimas de acidentes com moto?, observa. Segundo ela, na maioria dos casos as vítimas de acidentes com motos chegam ao hospital com politraumatismo, apresentando fraturas ? muitas vezes expostas - nos membros inferiores e superiores. Outros apresentam Traumatismo Crânio-encefálico (TCE) e já entram no hospital em coma. Valquíria ressalta que os acidentes envolvendo motos, em sua maioria, apresentam maior gravidade do que os envolvendo apenas veículos. ?Se houver uma colisão leve do veículo, o motorista não sofre tantas lesões. O mesmo não acontece com uma moto, onde qualquer acidente causa graves lesões ao condutor?. Motos O que se observa nos casos mais graves de acidentes com motos é que o condutor ou carona não estavam com os equipamentos de segurança adequados, como capacetes, roupas e luvas. Valquíria salienta que essa falta de proteção faz com que os motoqueiros fiquem bastante machucados e muitos entrem em choque, causado por hemorragia. Ela recomenda também que o serviço de emergência seja acionado, pelo 193, para fazer o socorro às vítimas de acidentes. ?Eles têm todo o aparato para prestar o atendimento imediato à vítima e transportá-la ao pronto socorro?, adverte. Valquíria acrescenta que movimentar a vítima de qualquer forma pode deixar seqüelas e levar o paciente a ficar paralítico, caso apresente lesão na coluna. Sobre os acidentes com ciclistas, a diretora da UE explica que não há uma estatística precisa, pois esse tipo de acidente é registrado geralmente como atropelamento. Mas, reconhece que diariamente dão entrada pessoas vítimas de acidentes com bicicletas. O trabalhador rural Manoel Leopoldino dos Santos deu entrada no pronto-socorro na quinta-feira. Ele era mais uma vítima de acidentes com motos. Trabalhador da uma fazenda em Rio Largo, subia uma ladeira quando foi atropelado por um ônibus e acabou sofrendo lesões por todo o corpo. Ensanguentado, ele foi levado ao posto de saúde do município que, sem condições de fazer o atendimento adequado, o encaminhou à Unidade de Emergência Armando Lages. Com cortes na cabeça e nos braços, Manoel foi liberado no mesmo dia. Bastante enfraquecido, por causa da grande quantidade de sangue que perdeu, o trabalhador garantiu que a culpa pelo acidente foi do motorista do ônibus, que fugiu do local sem socorrê-lo.