Cidades
Slum reduz em 50% presen�a de catadores no lix�o
FÁBIA ASSUMPÇÃO A Superintendência Municipal de Limpeza Urbana (Slum) iniciou, ontem, um processo para controle da entrada dos catadores no lixão de Cruz das Almas. Apenas 300 catadores cadastrados, que usarão um colete de identificação, poderão ter acesso ao local no horário das 6 às 18 horas. A medida tomada pela Slum gerou protesto dos catadores que tiveram sua entrada impedida no lixão, na manhã de ontem. Por causa do clima de tensão, a segurança no local foi reforçada por policiais militares da Radiopatrulha e da Cavalaria, além de policiais civis e guardas municipais. O coordenador do Aterro Sanitário, Paulo Noronha, explicou que a Slum percebeu que este ano o número de catadores dobrou no Lixão, passando de 300 para mais de 600. ?Essa grande quantidade de catadores estava prejudicando a operacionalização do trabalho dos caminhões dentro do aterro?, observou Noronha, lembrando que há alguns meses houve o registro da morte de um adolescente que catava lixo no local. Critérios Ele explicou que entre os critérios para seleção dos catadores que permanecerão no local estão aqueles incluídos no cadastro há mais de cinco anos e que morem ao lado do lixão. Também será impedida a entrada de menores de 18 anos. A operação para controlar o acesso de pessoas ao lixão envolveu o Conselho Municipal da Criança e do Adolescente, Ministério Público e as polícias Civil e Militar. Para o catador Carlos Alberto Almeida, 23, a Slum já deveria ter adotado esta medida há muito tempo. Ele comentou que começou a trabalhar no lixão há 11 anos, quando só haviam 38 pessoas fazendo a catação. Ele teme, no entanto, que o cadastro acabe deixando de fora os catadores mais antigos. ?Eles têm de observar quem já está aqui há mais tempo?. Carlos Alberto confirma que nos últimos meses houve uma invasão de pessoas de várias outras áreas da cidade. Isso acabou aumentando o número de conflitos e casos de violência dentro do lixão. Os catadores que não puderam ter acesso ao lixão protestaram contra a medida da Slum. A catadora Célia Maria dos Santos mora no Benedito Bentes. Há mais de um ano vem catando lixo em Cruz das Almas para sustentar os oito filhos. ?Como eu vou fazer para sustentar meus filhos agora, não tem emprego nesta cidade para mim?, protestava. Os catadores reclamavam de que não estavam podendo nem pegar os pertences que haviam deixado dentro do lixão. Segundo o coordenador do aterro, Paulo Noronha, a Slum não tem como ajudar essas pessoas. ?Estamos fazendo um levantamento para verificar a situação dessas pessoas, para ver que encaminhamento poderemos dar ao caso delas?, explicou Noronha.