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Catadores retirados do lix�o fazem ato de protesto

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RÓDIO NOGUEIRA Cerca de 300 catadores de lixo que não foram cadastrados pela Superintendência de Limpeza Urbana de Maceió (Slum), para continuar explorando o ?Lixão?, em Cruz das Almas, realizaram, ontem pela manhã, uma mobilização em protesto contra a decisão do órgão, que limitou o acesso ao aterro sanitário. Das mais de 600 pessoas que trabalhavam e sobreviviam do ?Lixão? de Maceió, apenas 350 foram beneficiadas com a permissão de exercer a atividade de catadoras, com livre acesso ao local. Revoltados, homens e mulheres tentaram evitar a entrada de caminhões com lixo e ameaçaram queimar pneus para bloquear o local. Policiais militares foram chamados até o aterro, para evitar o confronto, mas os catadores, inconformados por não terem acesso ao ?Lixão?, ameaçaram, inclusive, agredir funcionários da Slum e policiais. A direção da Slum, segundo denúncias dos catadores, também teria acionado duas equipes da Companhia de Radiopatrulha, duas do 5º Batalhão de Polícia Militar, a Companhia de Cavalaria e Guardas Municipais. Esses últimos chegaram ao local com o objetivo de acalmar os catadores de lixo, que ameaçavam tocar fogo nas montanhas de detritos, espalhadas em vários pontos. Alguns catadores foram retirados do local, sob protesto, porque representavam perigo, em função do descontrole emocional. A superintendente da Slum, Rosa Tenório, se reuniu com as lideranças do ?Lixão? e prometeu que vai analisar a questão do cadastramento para o trabalho no local. A meta é fazer com que todas as pessoas possam ter aceso ao aterro e desenvolver sua atividade de forma ordenada. Ela enfatizou que não pode permitir que pessoas de menor idade sejam cadastradas, como querem alguns pais. ?Durante a fase de cadastramento, descobrimos que garotos de menor idade estavam na frente de serviço. E como a lei não permite a exploração da mão-de-obra infantil, proibimos o acesso dos meninos ao ?Lixão?. Acho que, como represália, os pais deles resolveram se manifestar?, explicou Rosa Tenório. Demanda maior Mas, segundo reclamam os catadores, o órgão beneficiou apenas 350 pessoas quando deveria atender à demanda que é muito grande. São pessoas que dependem diretamente das toneladas de lixo despejadas no local, para sobreviver. O catador José Antônio de França disse que já se cadastrou quatro vezes e nunca foi chamado. Disse que vive no ?Lixão?, há mais de dez anos, e denuncia que pessoas que começaram a catar lixo, recentemente, conseguiram fazer o cadastro. Na opinião dele está havendo discriminação. A Slum explica que para receber o colete é necessário morar próximo do local e que muita gente está vindo de longe explorar o ?Lixão?. E que a rigor é preciso privilegiar quem reside na localização.

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