Cidades
Prefeitura inicia retirada de fam�lias do Dique Estrada
FÁTIMA ALMEIDA A Prefeitura de Maceió começou, ontem, a retirada de dezenas de famílias que moram, há anos, em barracos na beira da lagoa, na favela do Dique Estrada, para promover o processo de reurbanização da área. Nessa primeira etapa, serão removidas 37 famílias, mas o projeto prevê a retirada de todos os barracos, onde moram cerca de 1.600 famílias, das quais 350 vivem da pesca, segundo levantamento da Secretaria Municipal de Habitação. As obras de reurbanização já foram iniciadas e os próprios moradores, à medida que vão desocupando a área, se encarregam de demolir a construção irregular. Faz parte da estratégia do poder público para evitar que novas famílias venham a ocupar o espaço, antes do avanço das obras. Das 37 famílias removidas nessa etapa inicial, dez (de pescadores e marisqueiras) foram levadas, ontem, para casas alugadas pela Prefeitura, na Vila Araújo, na Cabo Reis, enquanto aguardam a conclusão do conjunto habitacional Lenita Vilela, nas imediações. Cada uma será beneficiada com uma casa. A previsão é para janeiro. Até lá, segundo o secretário municipal de Habitação, Claudionor Araújo, a Prefeitura vai gastar cerca de R$ 1 mil por mês com o aluguel e energia das dez casas. Indenização Outras 16 famílias, que não vivem da atividade da pesca, serão indenizadas com valores que vão de R$ 500 a R$ 1.500 por barraco, e 11 já foram removidas para a casa de familiares. A saída do local misturou emoções que nem mesmo os moradores sabem explicar. A marisqueira Marinete Miranda mora no local há muitos anos (nem ela mesma sabe quantos). Na hora da saída ela chora, mas não sabe se é de saudade do local ou de alegria porque terá, enfim, uma casa para morar. ?Acho que é de alegria, porque morar numa casa própria é muito melhor do que num barraco?, diz a vizinha Anadeje dos Santos, também marisqueira. Para a desempregada Zelândia Melo da Silva, entretanto, o sentimento é de revolta e desespero. ?Estou saindo sem direito a nada?. Ela diz que vai passar uns tempos numa casa emprestada pela família do amigo do filho, de 13 anos. Seus vizinhos, o carroceiro Adauto da Conceição, 53 anos, e sua esposa também não serão contemplados com uma moradia nem com indenização.