Cidades
Queimadas provocam sete interrup��es de energia
FÁBIA ASSUMPÇÃO As queimadas durante o corte da cana-de-açúcar estão provocando prejuízos aos consumidores e à Companhia Energética de Alagoas (Ceal). Só este ano, a Ceal registrou sete interrupções de fornecimento de energia, provocados pela queima da cana próxima das redes de energia. No domingo, um problema provocado pela queima da cana nas linhas que fazem parte da subestação Peri-Peri, em Teotônio Vilela, deixou uma população de mais de 10 mil pessoas, na região de Coruripe, sem energia, das 20 horas até as 12h32 do dia seguinte. O problema se repetiu na terça-feira, quando o fornecimento de energia foi interrompido das 18h19 até as 3h27 de ontem. A rede da subestação Peri-Peri tem 18 quilômetros de estação até Coruripe, atravessando uma região com relevo bastante acidentado. O superintendente de Transmissão da Ceal, José Mateus Lucena, explica que apesar dos produtores de cana terem conhecimento de que as queimadas são proibidas, e, se feitas, devem respeitar uma faixa de 10 a 25 metros de distância do eixo das linhas de transmissão, o problema se repete todos os anos, na época da safra. Em 2001, foram oito interrupções no fornecimento, por causa das queimadas; em 2000, foram cinco; e seis, em 2002. ?A queima modifica as características da linha, provocando os curtos-circuitos?, explica Mateus. ?À medida que esses cabos sofrem curtos-circuitos, eles vão ficando enfraquecidos e podem se romper?. Segundo Mateus, em alguns casos o fornecimento de energia é logo restabelecido, mas isso não quer dizer que os cabos das linhas de energia não tenham sofrido danos. Foi o que ocorreu em Arapiraca, no domingo, onde uma queimada provocou uma queda de energia, no período de 14h31 a 14h45. Mesmo conseguindo restabelecer o fornecimento rápido da energia, os técnicos da Ceal ainda farão uma avaliação da situação da linha. Mateus reforçou que as queimadas são proibidas, inclusive pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A Ceal pretende investir em campanhas para conscientizar os produtores sobre os prejuízos causados pelas queimadas e promover uma nova reunião com eles, como já ocorreu em anos anteriores, na sede da Asplana.