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PESCADORES PROTESTAM CONTRA TRANSFERÊNCIA PARA NOVO CENTRO

Segundo manifestantes, local não tem estrutura adequada para recebê-los

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Maceió, 03 de março de 2020  
Pescadores bloqueiam avenida e protestam contra realocação para Centro Pesqueiro. Alagoas - Brasil.
Foto: ©Ailton Cruz
Maceió, 03 de março de 2020 Pescadores bloqueiam avenida e protestam contra realocação para Centro Pesqueiro. Alagoas - Brasil. Foto: ©Ailton Cruz -

Pescadores e marisqueiros que estão previstos para se instalarem no Centro Pesqueiro, no bairro do Jaraguá da capital alagoana, protestaram contra o que consideraram falta de estrutura de um centro que foi entregue, mas que está longe de ser concluído. Falta de água encanada em certas partes do prédio e falta de depósitos são alguns pontos levantados. O protesto se iniciou no fim da tarde desta terça-feira (03) onde fica o novo Centro Pesqueiro, nas proximidades do Porto de Maceió. Cerca de 50 pescadores se reuniram no local e atearam fogo em pneus, parando o trânsito na pista que dá acesso ao porto. Caminhões de carga e carros de passeio ficaram engarrafados por horas. “Falamos mil e uma vezes com a Prefeitura, mas não tem resposta. Com a prefeitura, a gente não espera conseguir mais nada”, disse Carlos Jorge, líder do movimento. O histórico de embates entre a prefeitura e os vendedores não é de hoje, manifestações já haviam sido realizadas com o objetivo de reivindicar a inauguração do espaço. O novo prédio inaugurado pela prefeitura conta com 60 depósitos, contra os 130 que haviam no antigo mercado, em uma conta dos pescadores. “Eles querem que a gente divida o depósito com mais duas pessoas, vamos confiar?”, argumentou Maria Edileusa dos Santos, que trabalha a mais de quarenta anos na venda de pescados. Segundo ela, a prefeitura concedeu um período de oito meses de “carência” aos pescadores que se instalaram no novo local. Depois disso, seria cobrado um aluguel, cujo valor não foi informado aos comerciantes. O espaço de venda ainda seria dividido entre três ou quatro pessoas, o que era individualizado no antigo prédio. Na área da manifestação, estavam presentes cerca de doze viaturas, fato que gerava desconforto aos presentes. Entre elas, tinham carros da Guarda Municipal, do 1º Batalhão de Polícia Militar e da Força Tarefa de Segurança Pública. Os agentes do Gerenciamento de Crises da Polícia Militar conversaram cerca de três vezes com o chefe das manifestações, sem sucesso. Os manifestantes afirmaram que só apagariam as chamas e liberariam a pista após chegarem a um acordo. “Ninguém vai a lugar algum” Nesta quarta-feira (04), está prevista para ser efetuada a transferência do primeiro lote de vendedores para o novo Centro Pesqueiro. Os vendedores afirmaram que vão resistir à mudança. “Ninguém vai à lugar algum. Não há estrutura para a gente aqui [no novo Centro], então vamos ficar lá”, disse Carlos. Como parte da troca de local, o espaço ocupado pelos vendedores no antigo Centro será desativado. Isso inclui corte no fornecimento de energia e transferência dos itens lá presentes, já que não haverá ocupante. Os manifestantes pretendem estar na porta do antigo local à partir das cinco da manhã, para impedir qualquer ação da Prefeitura. O clima no protesto era de tensão, com constantes sugestões dos agentes de que os manifestantes deveriam desobstruir a via como gesto de boa fé. Eles se recusavam sempre. “Estamos faz cinco anos tentando negociar, já demos provas o suficiente de boa fé”, disse o líder do grupo aos agentes. Em entrevista aos jornalistas presentes no local, o chefe do 1º Batalhão de Polícia Militar, Capitão Glaudisson, disse que o Gerenciamento de Crises iria esgotar todas as negociações, mas caso não haja liberação, a polícia vai ter que agir “usando a força necessária”. Por volta das sete e meia da noite, os manifestantes decidiram desobstruir a via. Não houve acordo com a prefeitura e, amanhã, por volta das seis horas da manhã, eles devem voltar ao local e repetir a manifestação, além de buscar manter as estruturas no antigo Mercado. Em nota, a Prefeitura de Maceió afirmou que a mudança nesta quarta-feira (04) vai seguir conforme programado. O Centro, segundo a nota, conta com “depósitos, estaleiros, área de espaço para venda e armazenamento, fábrica de gelo e oficinas, além de estacionamento”, não foram respondidas as alegações dos protestantes que parte da estrutura não funciona. Ainda segundo a nota, serão transferidos 182 vendedores que estão cadastrados em uma lista desde 2015 e que foi aprovada no último dia 13 de fevereiro pelo Ministério Público Estadual e representantes da Prefeitura e dos pescadores. A Prefeitura argumenta que o edital publicado no Diário Oficial do Município no último dia 19 também prevê a remoção de estruturas inadequadas, o que permite o recolhimento dos materiais e o corte do fornecimento de energia.

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