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FAMILIARES PROTESTAM CONTRA LENTIDÃO EM INQUÉRITOS DE HOMICÍDIOS

Sindpol diz que há atualmente 15 mil processos sem resolução e culpa o governo do Estado

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Imagem ilustrativa da imagem FAMILIARES PROTESTAM CONTRA LENTIDÃO EM INQUÉRITOS DE HOMICÍDIOS
| Foto: Arnaldo Ferreira

O sentimento da perda de um ente querido é de uma profundidade que só sabe quem vive. Imagine, então, perder alguém num homicídio e, ainda por cima, não se ter informações sobre o crime. Esta é a realidade de muitos familiares em Alagoas, o que motivou um protesto nessa terça-feira (3), na sede da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), na Chã de Bebedouro, em Maceió, devido aos inquéritos parados. Há crimes que aconteceram há quase três meses e os parentes continuam ‘às cegas’. Segundo o Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas (Sindpol/AL), são 15 mil investigações sem resolução.

O problema não é novo. Em 2019, o Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL) determinou o arquivamento de 253.010 processos no ano passado. Desse montante, 19.478 são processos criminais.

O filho de Givaldo Santos é um desses casos. Seu filho, Romerson Eric da Silva Santos foi morto no centro de Maceió após ter levado o celular para o conserto.

“Até hoje, está com 12 dias, e a gente não soube de nada. Meu filho tinha 29 anos, bacharel em Direito, trabalhava, estava estudando para fazer a OAB. Teve um assalto lá no Centro, o camarada foi correndo, e dizem que, quando ele foi correr, o cara atirou. Eu vi uma foto dele [suspeito do crime] que foi mostrada hoje, mas por enquanto não sei quem é ainda. Eu quero justiça e que o cara pague pelo que ele fez. Meu filho não era nenhum vagabundo não, era pessoa de bem”, contou Givaldo.

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O pintor Gabriel Emanoel de Lima é outro pai em busca de justiça pelo filho Wellington Aureliane de Lima. “Meu filho foi morto no dia de Natal pela esposa dele e até essa data de hoje a gente não tem notícia. Já vim aqui umas seis vezes e ninguém diz nada. A esposa dele está solta, Samiele Santos. Tive aqui ontem e me mandaram vir hoje, mas, até agora ninguém diz nada. Quero justiça pelo meu filho”.

O deputado estadual Cabo Bebeto (PSL) acompanhou as reclamações dos parentes. “Qualquer prazo para quem busca a justiça mantém a dor, ajuda a não esquecer. A gente tem recebido algumas reclamações a respeito desses casos. A gente conhece a dificuldade que os policiais vivem aqui em Alagoas, diferente do que o governo tem mostrado em suas mídias, então, viemos cobrar e tentar ajudar. Sabemos que são muitos inquéritos porque a gente conhece na prática e recebe as reclamações. A gente quer oferecer aos cidadãos o melhor serviço”, disse.

Sindpol culpa o governo

De acordo com o presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas (Sindpol/AL), Ricardo Nazário, um dos motivos para tanto atraso na resolução dos homicídios surge pela falta de aparato por parte do Governo de Alagoas.

“É lamentável essa situação que o governo do Estado impõe ao povo. Agora, ainda por cima, nem os delegados nem os policiais podem mais falar, essa é a posição do delegado geral. Nós como sindicato vamos continuar. A mordaça para o Sindpol não serve. Não tem como ficar calado com 15 mil inquéritos parados. Com as paralisações da Polícia Civil, o reflexo é terrível para a sociedade e a culpa é do governo do Estado. Tem vários familiares aqui hoje cobrando o andamento, a celeridade, para que se chegue ao criminoso, culpado, mas, com as condições que o governo Renan Filho tem dado, não tem como”, defendeu Nazário.

Para o Sindpol, os 15 mil inquéritos parados são pela falta de provas e condições técnicas para investigá-los. A tendência é aumentar a impunidade, porque, de acordo com o presidente do Sindicato dos Peritos Oficiais de Alagoas, Paulo Ferreira, faltam profissionais para “dar conta e emitir laudos periciais solicitados pela Polícia, Ministério Público e Justiça” para os casos criminais que ocorrem em todo o estado.

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