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ESPECIALISTAS DIVERGEM SOBRE MEDIDAS PARA COMBATE À COVID-19

Alguns especialistas questionam suspensão das aulas e dizem que momento não é para pânico

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A luta é contra um gigante ainda desconhecido e vai exigir a colaboração de cada um. Afastar o pânico, adotar cuidados pessoais e evitar aglomeração. A pandemia é uma realidade. Medidas mais enérgicas adotadas em Alagoas, como a suspensão de aulas nas escolas públicas e privadas, tentam frear o avanço do Covid-19. Entretanto, a precaução divide a opinião dos especialistas. Alguns afirmam que o quadro epidemiológico apresentado até agora não recomenda a interrupção, pelo menos no momento, pois a perspectiva é de avanço da doença no mês de abril. Para a infectologista Sarah Dellabianca, o alagoano deve lidar com o coronavírus com tranquilidade e sem pânico. “Utilizando as medidas que previnem como lavar as mãos com frequência ou usar o álcool em gel, afinal estamos diante de uma doença infectocontagiosa, autolimitada e benigna apesar de acometer com gravidade grupos de risco, de maneira muito semelhante ao que outros vírus respiratórios fazem”, explica. Na opinião de Sarah Dellabianca, que é infectologista e coordenadora do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Unimed, a suspensão de aulas em escolas por quatorze dias – determinada pelo governo – é insuficiente. A reportagem pergunta a médica em que momento Alagoas pode entrar em estado de alerta, ela afirma que o estado não tem ainda caso autóctone (caso contraído pelo enfermo na zona de sua residência). “Desta forma, aguardamos para as próximas semanas a epidemia se instalar, contudo podemos ser surpreendidos a qualquer momento. Há fluxo de muitos alagoanos aqui em Maceió retornando de países europeus e dos EUA, até mesmo da Ásia, inclusive estudante de Medicina”, acrescenta. E como nunca é demais reforçar as formas de evitar a contaminação, a médica orienta que se deve evitar sair das residências, isso inclui atividade física em academia, idas ao shopping, teatros, eventos e qualquer tipo de aglomeração. “Usar álcool em gel ou líquido para higienizar as mãos principalmente após o toque em áreas de contato comum, como painel de elevadores, celulares, objetos, maçanetas etc. Diante das medidas adotadas pelos estados, se estiverem cumprindo: não há motivos para pânico”, explica. Não é momento para pânico A médica Mirian Campos, especialista em clínica geral do Hospital Geral do Estado (HGE) e coordenadora do Serviço de Controle de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde (SCIRAS), reforça que não é momento para pânico. “O momento é de atitudes responsáveis que evitem a rápida disseminação do vírus. Também é muito importante se ater sempre as informações de fontes seguras, como as divulgadas nas páginas oficiais do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) de Alagoas”.

A reportagem questiona em qual momento Alagoas pode entrar em estado de alerta, Mirian Campos declara que “já estamos em alerta, porém medidas mais rigorosas serão tomadas se surgir transmissão comunitária do vírus, ou seja, pessoas se contaminando independente de viagem. É preciso evitar aglomerações de pessoas, lavar bem as mãos com água e sabão ou álcool em gel; higienizar objetos; usar lenços descartáveis ao tossir e espirrar; evitar abraços e apertos de mão; evitar contatos físicos desnecessários; higienização acima de tudo; se tiver contato com caso suspeito deve procurar as orientações específicas nas Unidades de Pronto Atendimento, ambulatórios e unidades de saúde municipais. Quanto mais ficar em casa, melhor”, esclarece.

Sobre a suspensão de aulas na rede ensino, na avaliação da médica Mirian Campos, essa é uma medida importante nesse primeiro momento. “Qualquer medida para evitar aglomerações é bem-vinda agora. O Cievs (Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde) da Sesau tem feito um trabalho muito bom. As orientações estão sendo amplamente divulgadas e a preparação para eventuais futuros casos está sendo planejada adequadamente pela equipe técnica”, finaliza. Já o médico, professor e pesquisador Fernando Pedrosa tem opinião divergente de alguns colegas sobre a suspensão de aulas em escolas. A Gazeta pergunta se ele concorda com a suspensão das aulas nas escolas. “Não! Não há qualquer comprovação de benefícios dessa iniciativa para reduzir a transmissão. As pessoas continuam vivendo. E o pior, quando desinterditar as escolas? Nesse período da interdição há garantia que o vírus deixa de circular? O governo mandou ofício para o corona para que ele deixe de circular em 7, 15 ou 20 dias?”, avalia o médico. A reportagem questiona a Fernando Pedrosa se as ações desenvolvidas até agora pelo governo são suficientes. “Não, só estimula o pânico. O alagoano deve lidar com o coronavírus com o equilíbrio e sem pânico. Pode entrar em estado de alerta quando a transmissão da doença estiver ocorrendo em Alagoas. Os cuidados que as pessoas devem tomar em casa ou nos espaços públicos é manter a distância de um metro do interlocutor, lavar as mãos com água e sabão e com álcool em gel ou a 70%”, finaliza.

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