Cidades
NÚMERO DE LEITOS DE UTI E RESPIRADORES PODE SER INSUFICIENTE SE CASOS EXPLODIREM
Hospital Escola Hélvio Auto é a unidade de referência em Alagoas no tratamento de doenças infectocontagiosas
Não é alarmismo e nem a política do caos. É a realidade dos fatos. Se, no Brasil, a pandemia do novo coronavírus chegar ao mesmo nível de proporção da China e da Europa, o sistema de saúde entrará em colapso devido à falta de estruturação. Em Alagoas, a situação preocupa o sindicato e a associação dos hospitais pela quantidade ínfima de leitos de UTI e de respiradores, a serem utilizados em casos mais graves.
Na semana passada, o governo do Estado divulgou que estava disponibilizando 105 novos leitos de UTI na rede pública, filantrópica e privada. No anúncio, foi garantido estes espaços já tinham sido contratados, equipados e seriam utilizados para atender os pacientes que inspiram cuidados.
Apesar do quadro de aparente controle da doença, o presidente destas duas entidades, Glauco Manso, diz temer o pior e enaltece o trabalho do Ministério da Saúde em recomendar, por enquanto, a reclusão domiciliar para evitar que o vírus se dissemine na mesma velocidade do que ocorreu em outros países e comprometa o funcionamento das unidades de saúde. “Mas, o coronavírus se espalhar e as contaminações passarem a ser comunitárias, gerando uma explosão de casos, fico apreensivo com o que pode acontecer, já que não temos equipamentos necessários e leitos de UTI suficientes para tratar todo mundo. Não faço, com esta minha impressão, a propaganda do caos, mas o que eu vejo é que faltam insumos até nos países desenvolvidos, imagina em Alagoas”, comenta. Ele avalia que a estrutura do Hospital Helvio Auto, referência no tratamento de doenças infectocontagiosas, é insuficiente, com poucos leitos disponíveis para uma pandemia.
A preocupação do presidente também se estende aos municípios do interior do Estado, que sequer têm hospitais suficientes para atender a demanda do dia a dia e as unidades em funcionamento estão em crise gerada pelo cenário econômico do Brasil. “O temor é gerar uma epidemia em Alagoas dentro desta pandemia que se espalhou pelo mundo. Queremos, agora, deter a transmissão do vírus de pessoa para pessoa. Na verdade, cada infectado pode passar o coronavírus para outras três pessoas e, se isto realmente acontecer, pode-se perder o controle”, avalia. O trato de pacientes com quadro respiratório comprometido exige o uso de respiradores artificiais, instalados nas UTIs. Os leitos suficientes nestes ambientes e a consequente falta destes aparelhos geram um clima de incerteza, conforme análise feita por Glauco Manso. Ele diz que se preocupa, também, com o aparelhamento de muitos hospitais. “Muitos nem tem aparelhos de tomografia e de raios-X, que são usados, também, para checar o sistema respiratório. Por outro lado, o sindicalista revela que, por iniciativa própria, estas unidades hospitalares anteciparam algumas providências, até para evitar a disseminação do novo coronavírus. Entre as medidas, estão a restrição de visitas. Há uma possibilidade, inclusive, de se suspender o atendimento ambulatorial e as cirurgias eletivas para deixar as equipes focadas no trato dos casos com complicações. “Percebo, nas conversas que tenho com a direção destes hospitais, uma certa preocupação em relação à rotina destas unidades em caso de explosão do número de casos. Mesmo que, agora, a situação aparenta controle, todos precisam estar preparados para o pior. Por enquanto, estamos investindo na medicina preventiva”.
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