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Cidades

ESPECIALISTAS AVALIAM COMPORTAMENTO DO VÍRUS

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Por Marcelo Amorim | Edição do dia 27/03/2020 - Matéria atualizada em 26/03/2020 às 22h53

Cientistas brasileiros conseguiram sequenciar o genoma do novo coronavírus em pacientes das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste do Brasil e descobriram que, por meio da transmissão comunitária, quando uma pessoa local passa para a outra, o vírus sofreu mutação e apresentou características que o distinguem dos coronavírus introduzidos no País. A descoberta trouxe apreensão para especialistas e deverá ter desdobramentos para os pesquisadores. Para especialistas locais, ainda é cedo para afirmar como a doença deve se propagar pelo estado. Defendem, porém, a manutenção do isolamento social. De acordo com a diretora do Hospital Escola Hélvio Auto, em Alagoas, Luciana Pacheco, não é raro acontecer modificação de características quando se trata de vírus. Segundo ela, isto também não significa que a doença viral pode se tornar mais transmissível, embora reconheça que, os vírus que fazem mutação, por exemplo, geram mais complicação para se chegar a uma vacina. “Tudo é muito novo. Não temos como dizer que, com esta mutação, o vírus de torne mais transmissível”, reforça. Para a especialista, o que a população tem que fazer neste momento é manter as orientações e cuidados básicos já apresentados pelo Ministério da Saúde e Organização Mundial de Saúde, que incluem o isolamento social. Por outro aspecto, até mesmo pelas diferenças entre as regiões do Brasil, Luciana Pacheco considera que foi precipitado o País ter “fechado tudo”. Para ela, a proposta de isolamento vertical, como sugere o governo do presidente Jair Bolsonaro, para “proteger” grupos de risco, que incluem idosos e pessoas com enfermidades como hipertensão diabetes, doenças coronárias, é muito difícil de se evitar o contágio, devido às condições de vida das pessoas em sociedade, como por exemplo a convivência entre parentes. “É muito difícil isolar idoso no nosso meio. Vejo dificuldade nessa verticalização, mas também não poderia ter fechado tudo ao mesmo tempo. Deveria seguir a regionalização. Seguiram como se o País todo fosse São Paulo”, pondera. Já para o infectologista Fernando Maia, essa descoberta vem de encontro ao que já descobriram na prática, que é o fato de alguns pacientes que tiveram infecção pela Covid-19, voltarem a ter novamente. “Isso de fato é uma descoberta importante, que pode dificultar a produção da vacina e que faz com que o vírus tenha uma sobrevida maior. É algo que nos deixa apreensivo, embora a gente não saiba ainda o alcance desta descoberta. Precisa estudar mais. Precisa avaliar um pouco mais”, posiciona-se. Ele destaca que a doença está começando a aparecer em Alagoas e como a Covid-19 é nova, ainda não se sabe exatamente com vai ser o comportamento do coronavírus no estado. “A gente espera, sabendo de outras viroses respiratórias como é o caso da gripe, do resfriado e outros vírus que causam quadro respiratório muito parecido do Covid-19, os casos devem aumentar agora na segunda metade de abril até durante o mês de maio e talvez até junho. Esta é a época do ano em que os vírus respiratórios circulam com mais intensidade aqui e é exatamente nesta época que a gente espera que o casos de Covid-19 aumentem . A gente não sabe se serão muitos casos, poucos casos. Só quando os casos chegarem é que a gente vai ter uma ideia de como esse vírus vai se comportar por aqui. Mas, independente de serem poucos ou muitos, a gente tem que estar preparado para atender esta demanda”, acrescenta. De acordo com os cientistas, com a descoberta, que contou com parceria de pesquisadores do grupo Ester Sabino, diretora do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (CADDE/USP), e da Universidade de Oxford, na Inglaterra, o desdobramento do trabalho será procurar por mutações que possam ser associadas à gravidade e à facilidade de transmissão. Para as pesquisas foram feitos os genomas completos dos vírus de 19 pacientes internados em hospitais de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás, Rio Grande do Sul e São Paulo.

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