Cidades
CRM CONSIDERA CASO GRAVE E VAI INVESTIGAR
Após a divulgação pelo governo Renan Filho da notícia da morte da primeira vítima da Covid-19 em Alagoas, nesta terça-feira (31), especialistas e entidades como o Conselho Regional de Medicina (CRM) classificaram como grave o fato do paciente ter recebido permanecido na UPA e prometeram apuração.
Para o médico infectologista Marcelo Constant, casos que necessitem de atendimento mais “sofisticado”, como os quadros da Covid-19 com gravidade, devem ser encaminhados para hospitais que dispõem de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Para ele, na rede pública de saúde, em Maceió, o local mais adequado é o Hospital Escola Hélvio Auto, antigo hospital de doenças tropicais, por contar com estrutura e equipe de profissionais capacitados para socorrer pacientes graves com coronavírus.
“Ninguém sabe o porquê esse paciente foi internado numa UPA, se ele entrou com um quandro grave e não teve tempo de transferência”, pontuou o especialista, ao fazer referência ao fato de que ainda não se sabe publicamente como se deu os procedimentos até chegar a morte do paciente.
O infectologista Fernando Pedrosa, presidente do Conselho Regional de Medicina de Alagoas (Cremal), classifica o episódio como grave. “UPA não é lugar para internar ninguém”, afirmou. “É um espaço para pronto atendimento”.
“Vamos solicitar a documentação à UPA e apurar. Se houver um médico responsável, seja do lado da UPA, que não solicitou transferência, ou do HGE [Hospital Geral do Estado], que negou os leitos, ele será penalizado”, afirmou.
Segundo fontes próximas ao caso revelaram à Gazeta, sob condição de anonimato, o paciente estava internado fazia dias e a transferência foi solicitada para o HGE, onde uma ala especializada para receber pacientes com quadros mais severos da doença foi montada. Apesar de a ala estar aparentemente vazia, o leito foi negado.
As UPAs do Estado, criadas para atendimentos de saúde básica, estão tendo que se adaptar para receber os pacientes com a nova doença. “Pode chegar um paciente com um quadro mais grave e, nesse caso, tem de ser prestado o socorro”, disse o infectologista. Com isso, algumas unidades, como a UPA do Benedito Bentes, transformaram suas alas amarelas em uma zona de isolamento para os casos suspeitos. Uma profissional de saúde que trabalha na unidade, mas não quis se identificar, contou que as mudanças foram feitas para resguardar os demais pacientes, mas que ainda há riscos envolvidos. Ela pontua que não é adequado deixar o paciente por um longo período de tempo nas unidades, como parece ter ocorrido com o acreano que faleceu. A transferência para unidades de referência deve ser feita, especialmente em casos de agravamento. Por serem pequenas e com estrutura simples, e devido à grande circulação de pessoas, elas podem ser pontos de propagação do vírus. “Estou falando faz tempo: temos que nos preparar, a responsabilidade é do estado e estamos vendo esse vírus crescer desde janeiro”, opinou Pedrosa. Infectologista, o médico atuou em pandemias no Estado de Alagoas nos últimos 30 anos. Na epidemia de cólera, que teve 16 mil infectados no estado, Alagoas conseguiu manter uma taxa de letalidade de apenas 0,3%. Crítico da atuação do governo Renan Filho (MDB) na saúde, Pedrosa não foi convidado a compor o comitê que gerencia a crise.