Cidades
ALE QUER EXPLICAÇÕES DA DIREÇÃO DAS UPAS APÓS MORTE POR COVID-19
Deputados devem convocar direção de instituto que administra Unidades de Pronto Atendimento para explicar morte de idoso
A Assembleia Legislativa Estadual (ALE) deve convidar, nos próximos dias, a direção do Instituto Saúde e Cidadania (ISAC), que administra as UPAs [Unidades de Pronto Atendimento] do Trapiche da Barra, Benedito Bentes, Irmã Dulce (Marechal Deodoro) e o Hospital IB Gatto (Rio Largo), para prestar esclarecimentos acerca do fluxo de atendimento nestas unidades. Os parlamentares querem saber se estes locais têm estrutura para receber pacientes com Covid-19.
O convite foi proposto pelos deputados Davi Maia (DEM) e Cabo Bebeto (PSL), durante a sessão ordinária virtual do Poder Legislativo, na manhã de ontem, após a morte de um idoso de 64 anos, que estava internado na UPA do Trapiche, e testou positivo para coronavírus. Como os trabalhos na ALE estão sendo feitos de forma remota, é provável que, se aprovado o requerimento, a direção da organização que gere as UPAs seja ouvida numa destas sessões virtuais. A indicação deve ser votada durante esta semana e, em caso de passar em plenário, será marcada a data para os esclarecimentos. O deputado Cabo Bebeto disse que foi surpreendido com a maneira como a notícia da morte deste paciente foi divulgada e contestada pelos familiares do doente. “Os parentes usaram as redes sociais para denunciar que a UPA não tinha estrutura alguma para manter o idoso internado no quadro em que ele se encontrava. Para mim, no mínimo, o governador cometeu uma gigantesca gafe em anunciar a morte antes mesmo de comunicar o caso oficialmente à família”, comentou. Para ele, é necessário ouvir da gestão das Unidades de Pronto Atendimento as explicações acerca do atendimento que está sendo prestado nestes ambientes. “Não sabemos se a UPA tem condições e estrutura para receber pacientes com coronavírus”. Jó Pereira, do MDB, classificou a atitude do governador em antecipar a comunicação da morte nas redes sociais como um descaso. “Esta notícia deveria ter sido dada, primeiro, à família até para que se fossem tomadas as medidas de isolamento, necessárias nesta pandemia”. Na opinião da deputada, falta organização e planejamento do governo de Alagoas para definir o fluxo de atendimento nas unidades referenciadas. Ela também fez um questionamento ao governo. “Por que este paciente, com sintomas graves de covid-19, não foi transferido para um destes leitos de retaguarda já disponíveis no Estado?”. Em defesa do governo, Silvio Camelo (PV) elogiou Renan Filho e a maneira como o Estado está agindo no enfrentamento à pandemia, classificada por ele como uma guerra contra um inimigo invisível, com inevitáveis mortes.