Cidades
Emprego e desemprego, eis a quest�o
FÁBIA ASSUMPÇÃO O delegado regional do Trabalho, Ricardo Coelho, afirma que Alagoas vive uma situação paradoxal em relação aos números do desemprego. Por um lado, há uma tendência na redução do número de pessoas desempregadas neste fim de ano, por causa do período da safra de cana-de-açúcar e a maior oferta de empregos no comércio e no setor de turismo. Em contrapartida, 2.300 prestadores de serviço da saúde estão prestes a perder seus postos de trabalho. ?A questão do desemprego em Alagoas é muito sazonal, no período de entressafra da cana, entre março e setembro, sempre há uma redução no número de empregos no setor formal?, observa. Por causa desta situação, os dados apresentados pelo Cadastro Geral de Emprego (CAGED) do Ministério do Trabalho mostram uma situação surpreendente em Alagoas: entre agosto e dezembro, deverão ser inseridos no mercado formal mais 60 mil trabalhadores. Segundo Ricardo, esses números levam em conta principalmente os empregos no setor da cana-de-açúcar. ?Esta situação tem levado, inclusive, a contratação de trabalhadores de outros estados, até porque devido a promessa de posse da terra, muitos trabalhadores sem-terra não estão querendo trabalhar no corte da cana?, observa Ricardo. O delegado regional do Trabalho ressalta que há algumas diferenças entre os dados sobre o números do desemprego no Brasil. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estabelece o índice de desemprego em relação às pessoas que estão em busca de emprego. ?Só que muita gente já desistiu de procurar emprego e isso não é contabilizado?. Estatísticas Já o Ministério do Trabalho leva em conta o número de trabalhadores com carteiras assinadas e deixa de lado quem está na formalidade. Por causa dessas divergências, Coelho admite que é preciso uma reformulação nos modelos estatísticos sobre o desemprego no País. O número de trabalhadores formalizados também vem aumentando, graças à intensificação da fiscalização. Só este ano, cerca de quatro mil trabalhadores tiveram a situação regularizada. Só no município de Arapiraca, foram feitos mais de mil registros de trabalhadores. Ricardo se mostra, no entanto, preocupado com a situação dos prestadores de serviço da Saúde. Apesar de reconhecer a legalidade do ato da Procuradoria Regional do Trabalho, Ricardo enfatiza necessidade de se criar alternativas para absorver essa mão-de-obra, a maioria com mais de 45 anos de idade, sem formação escolar e qualificação profissional. ?Tem havido uma boa vontade, a se reconhecer, do governador, que tem protelado ao máximo a demissão dessas pessoas?, ressalta Coelho. Entre as alternativas apresentadas por Coelho, está a terceirização deste serviços ou a criação de OSIP, como existe no município.