Cidades
Genilda: Fome Zero j� foi fraudado em Alagoas
BLEINE OLIVEIRA A coordenadora estadual do Fome Zero, em Alagoas, assistente social Genilda Leão, revela que o comitê gestor do programa tem identificado irregularidades no cadastro de famílias carentes que estão sendo beneficiadas com o Cartão-Alimentação, no valor de R$ 50,00. Embora não tenha ainda totalizado o número de pessoas descredenciadas, a coordenadora, que é também secretária celular de Saúde e Bem-Estar Social, admitiu que os erros são consideráveis, especialmente quanto à inclusão de pessoas com renda acima do teto estabelecido. O programa é destinado a famílias com renda per capita inferior a meio salário mínimo, ou seja, a R$ 120,00. Um dos casos mais imorais, que ela preferiu não detalhar, é o cadastro de uma família cuja residência é dotada até de piscina. São situações que a coordenadora do Fome Zero admite ter ocorrido em conseqüência da utilização de cadastros feitos há mais de três anos, alguns inclusive em período eleitoral. Embora criado no governo do presidente Lula, o Fome Zero está utilizando os mesmos cadastros feitos pela administração de Fernando Henrique Cardoso, quando foram criados projetos como Bolsa-Alimentação e Bolsa-Escola. Na avaliação da secretária Genilda Leão, essa questão tem que ser repensada, ou seja, ela defende que o governo Lula determine um novo cadastramento das famílias carentes para evitar a manipulação dos recursos. ?Os técnicos do Mesa (Ministério Extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome) já estão analisando a possibilidade de realizarmos um novo cadastramento, passando pelo rigor social dos comitês gestores. Mas asseguro que toda mazela identificada é corrigida imediatamente?- acrescentou ela. Para a coordenadora, os comitês, composto por nove membros titulares, sete deles eleitos pela sociedade civil, têm importância fundamental no controle do programa, evitando vícios que podem inviabilizar um projeto destinado a reduzir a fome da população. Em Alagoas, são 34 municípios do semi-árido incluídos no Fome Zero, com 41.608 famílias cadastradas até o último dia 2. O montante de recursos federais liberados é de R$ 2 milhões, para um universo de 208 mil pessoas. Esses números serão alterados para maior a partir de outubro próximo, quando o programa incluirá novas famílias. A coordenadora disse ainda que o governo autorizou a inclusão de famílias carentes de Arapiraca, aumentando para 35 o número de municípios alagoanos no Fome Zero.