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St�dile: libera��o de transg�nicos far� do Pa�s um ref�m das transnacionais

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ANA MÁRCIA A principal liderança do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), economista João Pedro Stédile, disse, ontem, em Maceió, que a liberação dos transgênicos no Brasil é uma situação grave, capaz de colocar em jogo o futuro da agricultura. ?Se o povo brasileiro perder o controle das sementes, vai estar subordinado às transnacionais e perderá a soberania dos alimentos, porque quem controla sementes define o que vai ser plantado e o que vai ser comido?, ressaltou Stédile em entrevista coletiva no Sindicato dos Urbanitários. Ele veio a Alagoas através da articulação Via Campesina, que reúne movimentos sociais do campo no Brasil e no exterior, para debater temas como transgênicos, o Livre Comércio das Américas (Alca) e a atual conjuntura econômica. A série de debates vem ocorrendo em todo o País. Segundo Stédile, os movimentos sociais analisam que o Brasil está numa verdadeira encruzilhada, em função de um histórico e prolongado período de crise econômica e problemas sociais decorrentes do modelo industrial totalmente dependente do capital externo desde a década de 30, mas atualmente com três caminhos a seguir. Hoje, segundo analisa, o Brasil enfrenta uma disputa por três grandes projetos: continuar com o neoliberalismo, efetuar as mudanças necessárias ou apenas fazer uma reciclagem, mantendo os mesmos parâmetros neoliberais. ?O povo brasileiro sentiu na carne a perversidade do modelo neoliberal imposto na década de 90, na tentativa de sair da crise instalada nos anos 80, mas após 12 anos, todos os indicadores sociais tinham piorado. O povo votou contra e elegeu Lula, mas não foi suficiente para definir um novo caminho para o País?, lembrou o representante do MST. Os três projetos em questão disputam espaços dentro do próprio governo Lula, de acordo com Stédile. Projeto popular ?Há ministros neoliberais, outros reciclados e os que apoiam o verdadeiro projeto popular de mudanças verdadeiras, assim, como acontece com a sociedade e os meios de comunicação. Esta disputa gerou um impasse: nenhuma forca consegue ser majoritária para impulsionar ao novo projeto?, afirmou, ao destacar a importância dos movimentos sociais para que possa ocorrer o desempate, partindo-se para um projeto popular de desenvolvimento econômico e social. Os movimentos sociais têm como base um documento sob o título: ?Por um novo projeto de desenvolvimento? baseado na soberania nacional, distribuição de renda direito ao trabalho e inclusão social. A luta pelo emprego e trabalho pode unificar todos os movimentos no Brasil, desde a UNE, que integra o estudante recém-formado mas sem emprego, aos movimentos sociais no campo, defendeu o líder do MST, João Pedro Stédile.

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