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Pesquisa diz ser poss�vel acabar com homossexualidade

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Uma pesquisa da Universidade Columbia, da cidade de Nova York, que diz ser possível mudar a orientação sexual de gays e lésbicas, está causando polêmica nos meios acadêmicos. O autor do estudo, Robert Spitzer, fez 200 entrevistas por telefone com pessoas indicadas por igrejas ou outras instituições que oferecem terapia para ?reverter a orientação sexual?. Ele concluiu que, nesse grupo, aparentemente a maioria das pessoas passou a ter práticas predominantemente heterossexuais depois de uma terapia que prevê ?afastar a tentação? e evitar ?pensamentos eróticos?. Mas o cientista disse que foram poucos os casos de mudança completa. E muitos estudiosos criticaram a metodologia da pesquisa, considerando-a fraca e limitada. Entre os participantes do estudo, 143 eram homens e 57 eram mulheres, que haviam tido práticas homossexuais por, pelo menos, cinco anos. A entrevista, feita por telefone, avaliou quatro aspectos da sexualidade: a atração por pessoas do mesmo sexo; a fantasia; o desejo platônico e o quanto os entrevistados mostravam em público sua orientação sexual. O cientista comparou o comportamento um ano antes da entrevista e o que havia mudado depois que os participantes da pesquisa se submeteram ao polêmico tratamento. A terapia conhecida como ?reparativa? basicamente condiciona os pacientes a uma nova prática sexual. O próprio autor reconhece que a terapia deveria ser aplicada apenas a homossexuais que não estejam felizes com sua opção, o que ele afirma ser a minoria. Spitzer também disse que, como as entrevistas foram feitas por telefone, muitos entrevistados podem ter mentido. Ele acredita, porém, que a maioria foi sincera em suas respostas. O presidente do Conselho Federal de Psicologia, Odair Furtado, disse que o fato de os participantes da pesquisa serem ligados a instituições religiosas pode ter contribuído para o resultado. A terapia oferecida, segundo ele, consistiu em evitar ?situações tentadoras? e pensamentos eróticos, entre outros aspectos. O professor Marco Aurélio Máximo Prado, professor de Psicologia Social da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), acredita que o estudo de Spitzer possa ter motivação política. Impulsos ?Quem encaminhou os entrevistados para a pesquisa foram entidades que consideram a homossexualidade anormal?, disse ele. ?E o estudo não fala da mudança da orientação sexual. Fala da não-materialização de uma relação sexual com uma pessoa do mesmo sexo. A proposta terapêutica faz com que as pessoas controlem seus impulsos. Elas têm forma e metodologia de manter o impulso afastado.? Prado diz que o desconforto com a opção sexual não pode ser visto como um fenômeno isolado. ?É um desconforto em relação a um padrão moral, em relação à falta de reconhecimento social de uma opção. Ninguém se sente desconfortável por si só?, diz o psicólogo. O Conselho Federal de Psicologia proíbe que psicólogos prometam ?curar? a homossexualidade, mas diz que quem estiver infeliz com sua condição pode procurar ajuda. Odair Furtado afirma que é possível controlar o comportamento sexual de uma pessoa, como acontece no caso dos padres que optam pelo celibato. Mas, de acordo com ele, não é uma posição que possa ser adotada pela maioria das pessoas que têm a felicidade sexual como pretensão. ?Se nós estamos trabalhando para o bem-estar das pessoas, a pergunta adequada é: ?Como a pessoa pode ser feliz com a sua opção sexual??. É assim que melhoramos a qualidade de vida das pessoas?, defende o presidente do CFP. ?Não deve ser fácil mudar uma opção heterossexual e não deve ser fácil mudar uma opção homossexual.? Furtado acredita que uma pesquisa desse tipo, para oferecer respostas mais convincentes, deveria ser ampliada para um universo maior, incluindo até mesmo heterossexuais. Para o professor Marco Aurélio Máximo Prado, só o fato de nenhum cientista propor a pesquisa inversa, tentando ?transformar? heterossexuais em homossexuais, mostra que estudos desse tipo são tendenciosos.

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