Cidades
Governo convocar� 278 docentes concursados
ANA MÁRCIA/BLEINE OLIVEIRA O governo do Estado vai convocar mais 278 professores, na nona chamada do concurso público realizado em 2000. Embora, a nomeação só seja de fato efetuada em cerca de 30 dias, quando os convocados apresentarão a documentação exigida, a contratação é significativa, especialmente, hoje, quando se comemora o Dia do Professor. Segundo o secretário-adjunto de Educação, Antônio Carlos Gouveia, além do aumento do número de professores da rede pública estadual, o governo tem buscado formas de assegurar melhor qualidade ao ensino, incluindo a valorização do professor. Ele disse que possivelmente na próxima semana será encaminhado à Assembléia Legislativa o projeto do Executivo que propõe alterações no Plano de Cargos e Carreira (PCC) do Magistério. Uma dessas alterações é o aumento da jornada de trabalho do professor em sala de aula, que passaria das atuais 20 horas para 25 horas semanais. ?Como essa mudança implica em aumento no valor da folha de salários, estamos analisando o impacto financeiro da medida antes de encaminhar o projeto ao Legislativo?- afirmou Antônio Carlos. O projeto que altera o PCC está sendo elaborado com a participação do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Alagoas (Sinteal) e do secretário-executivo de Administração, Valter Oliveira. Ontem, mesmo, segundo o secretário-adjunto, aconteceu uma reunião para novas discussões sobre o ?pacote? que vai alterar o Plano de Cargos e Carreira, inclusive na forma de progressão salarial do professorado. Na homenagem ao Dia do Professor, Antônio Carlos comentou que o governo alagoano tem procurado cumprir sua responsabilidade promovendo adequações e melhorias no sistema público de ensino. ?Muitas vezes, esbarramos no contigenciamento dos recursos financeiros, mas buscamos sempre o compromisso de valorizar o professor?- afirmou ele. Paulo Bandeira O professor Paulo Bandeira será o maior homenageado neste Dia do Professor em Alagoas. Ele desapareceu no dia 2 de junho e foi queimado vivo depois de fazer denúncias de desvio de recursos do Fundef no município de Satuba. Seu corpo foi encontrado dias depois num canavial dentro do carro e acorrentado ao volante, completamente carbonizado. Bandeira, segundo a diretora do Sinteal, Lenilda Lima, tornou-se realmente bandeira de luta contra a corrupção e um símbolo das dificuldades enfrentadas pela categoria no Brasil: trabalhava em escolas, no município de Maceió, na rede privada de ensino e na prefeitura de Satuba. O sindicato promoverá um debate, às 9h, no auditório do Sindicato dos Urbanitários e um ato público na Praça dos Martírios, a partir do meio-dia, dentro de uma campanha nacional denominada ?Ciranda pela Educação?. A programação não será festiva, mas atividades políticas sobre direito à educação e valorização profissional, com a participação das secretarias municipais e estadual de Educação, OAB, Ufal e conselhos de Educação. O objetivo é um dia nacional de mobilização por um piso profissional e a derrubada dos vetos ao Plano Nacional de Educação, impostas pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, em 2001, que impedem o aumento do financiamento da educação pública de 4,6% para 7% do Produto Interno Bruto do Brasil. Os professores lutam, ainda, pela criação do Fundo Nacional de Valorização do Magistério e do Ensino Básico, porque hoje, o Fundef só garante o Ensino Fundamental, sendo necessário envolver a Educação Infantil, assim, como, o Ensino Médio. Em nível local, segundo informações da presidenta do Sinteal, Girlene Lázaro da Silva, a categoria busca a revisão do Plano de Cargos e Carreiras e humanização da jornada de trabalho. O debate geral tem como objetivo aumentar os recursos para a educação.