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Professor � profissional em extin��o, diz pesquisa

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ANA MÁRCIA Os professores são uma categoria em extinção, segundo demonstra uma pesquisa da Confederação Nacional dos Professores em Educação (CNE) realizada, este ano, nos estados de Alagoas, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Paraná e Tocantins. De acordo com o levantamento, 83% dos professores são mulheres; da quais 53% estão na faixa etária dos 40 a 59 anos, em média com 15 anos de profissão. Mais da metade dos profissionais se aposentará nos próximos dez anos. Essa lacuna, porém, pode não ser preenchida porque cada vez menos pessoas estão dispostas a seguir a carreira, pelos baixíssimos salários, sobrecarga de trabalho e desvalorização profissional. O estudo ouviu 30% dos 2,5 milhões de professores nos dez estados brasileiros. Segundo a presidenta do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Alagoas (Sinteal), Girlene Lázaro da Silva, um professor de nível médio da rede pública estadual em Alagoas tem um salário de R$ 324,43, enquanto o de nível superior recebe R$ 454,00. Com mestrado ou doutorado, um professor só recebe R$ 549,00, para 20 horas de aulas semanais. ?Esses baixos salários e a pouca diferença remuneratória entre quem fez até um doutorado indicam que não há nenhum estímulo à qualificação profissional, assim como não há políticas públicas para a formação continuada dos profissionais?, diz Girlene. No Nordeste, a média salarial é de R$ 300,00 e de R$ 640,00. Para enfrentar esta realidade salarial e sobreviver, cada professor de Alagoas, de acordo com Girlene, trabalha em duas, três escolas, pela manhã, à tarde e à noite. Mas ele não tem apenas funções a serem exercidas na sala de aula: em tese, necessitaria se envolver em projetos da escola, no planejamento das aulas, Conselhos de Educação, discussão de projetos políticos-pedagógicos e exercer a necessária interação com a comunidade para entender melhor a realidade de seu aluno. ?Na prática, ele teria que utilizar 75% do seu tempo em sala de aula e o restante nessas outras atividades. Como é impossível, leva sempre trabalho para casa. O mais grave é que mais de 80% são mulheres e elas enfrentam não uma tripla, mas uma quarta ou quinta jornada de trabalho?, destaca a presidenta do Sinteal. Para Girlene, essa jornada chega a ser desumana, razão pela qual a categoria se mobiliza, hoje, no Dia do Professor, numa campanha pela humanização da jornada de trabalho. Em Alagoas, a área de ciências exatas, para Matemática, Química e Física já enfrenta problemas de falta de professores. Os jovens que fazem licenciatura nesta área não querem seguir a profissão, mas se lançam em mercados mais promissores e concursos públicos. ?É possível que em dez anos não tenhamos mais nenhum professor para essas disciplinas?, afirma.

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