Cidades
Caminhoneiros reclamam de demora no Porto
FÁBIA ASSUMPÇÃO / CAÍQUE MARQUEZ Os caminhoneiros que fazem o transporte de álcool estão reclamando da demora para efetuar a entrega do produto no terminal da Transpetro, no Porto de Maceió. Ontem de manhã, uma fila de mais de 10 caminhões esperavam para fazer a entrega do álcool de várias usinas de açúcar de Alagoas. Muitos caminhoneiros reclamavam que haviam chegado às 20 horas do dia anterior e até o meio-dia de ontem não tinham conseguido descarregar. O caminhoneiro Lourival Ferreira de Moraes protestava porque segundo ele, além de o frete pago pelas usinas para o transporte de álcool não ser o suficiente para cobrir os custos da viagem, eles ainda têm que enfrentar a demora para fazer a entrega do produto no terminal da Transpetro. A média de frete pago pelas usinas varia de R$ 118 até R$ 315, dependendo da distância até o porto. A maioria dos motoristas argumenta que o baixo valor do frete poderia ser compensado se a descarga do produto fosse mais rápido, possibilitando, assim, fazerem mais viagens. Segundo Lourival, todos os dias a situação é a mesma no terminal da Transpetro. ?Os usineiros reclamam que a gente não produz, mas como é que a gente pode produzir se a gente chega aqui e enfrenta essa demora?. A demora também é grande para a liberação das notas fiscais, depois que os caminhões passam por inspeções para avaliação da qualidade do álcool. Os caminhões têm que estar sempre limpos, para provocar danos na qualidade do álcool ou riscos de acidentes durante o transporte. Por causa da demora, os motoristas têm que improvisar um local para dormir, comer e fazer as necessidades fisiológicas, pois não existe um local para eles ficarem até serem chamados para descarregar. ?A gente não pode sair daqui, porque senão perde a vez?, reclama Lourival. O gerente da Transpetro em Alagoas, Paulo Pimentel, informou que a programação do transporte dos caminhões de álcool precisa ser corrigida, pois da forma que está sendo feita ocasiona congestionamento no terminal da companhia. ?Tem momentos que nosso terminal fica vazio e em outros chegam vários caminhões de uma vez. Essa programação não é feita por nós. Além disso, se o transporte fica acumulado nas usinas é natural que o descarregamento do álcool também atrase. Nós não temos estrutura para atender vários veículos de uma vez?, explicou Pimentel. Ele acrescentou que todo transporte de cargas perigosas precisa ter autorização do Instituto do Meio Ambiente (IMA). ?Esse fator também contribui para o atraso na hora dos caminhões descarregarem, pois nem toda transportadora cumpre a legislação e possui a autorização para transportar o produto?, completou.