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�rg�os de Manoel Tavares ajudam a salvar vidas

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FÁTIMA VASCONCELLOS Dois dos órgãos doados pela família de Manoel Tavares, morto na última quarta-feira com tiro de revólver, foram transplantados, ontem. O coração beneficiou João Lourenço Casado, 58, e um dos rins foi para Maria Irene da Silva, 53. O transplante cardíaco foi realizado pela equipe da Santa Casa de Misericórdia de Maceió, chefiada por José Wanderley Neto. O paciente está bem, mas deverá permanecer em observação, no hospital, por cerca de 15 dias, como é de praxe nesse tipo de cirurgia. ?Já me sinto melhor porque antes eu sofria um eterno cansaço. O coração não funcionava direito. Realizei um sonho. Vou ganhar qualidade de vida durante mais alguns longos anos. Nem sei como agradecer?, disse João Lourenço, natural de Viçosa e paciente cardíaco há 10 anos. O médico José Wanderley explicou que foi a quarta doação de coração ocorrida este ano e que a retirada de órgãos só pode ser feita com autorização por escrito da família. Mas é preciso certa agilidade, porque após a morte encefálica cada órgão tem o seu tempo para ser retirado do corpo. É também a partir do momento da doação que a equipe da Central de Transplantes fará contatos com as primeiras pessoas da lista de espera, a fim de fazer exames de compatibilidade que vão identificar quem atende melhor às prerrogativas técnicas para receber o órgão da pessoa falecida. Foram doadas, além do coração e dos dois rins, as córneas - mas apenas uma estava intacta. A outra foi danificada pela bala que matou Manoel Tavares, conforme revelou o coordenador da Central de Transplantes, Benício Bulhões. Ele explica que este ano já foram realizados 36 transplantes, sendo 27 de rins, oito de córneas e um de coração. ?Dos quatro corações doados, três foram para o banco de válvulas de Curitiba, porque não havia condições de serem transplantados nos pacientes alagoanos, por incompatibilidade entre os doadores e as pessoas da lista de espera. Uma vez doado, o órgão nunca se perde. Há todo um regulamento nacional do sistema de transplantes, permitindo o aproveitamento do órgão onde houver paciente cujo organismo seja compatível à recepção, como frisa Benício. O provedor da Santa Casa, Humberto Gomes de Melo, disse que foram criadas duas coordenadorias de transplantes no hospital: cardíaca e renal. ?Aqui já foram feitos oito transplantes intervivos, de rins, todos bem-sucedidos. Os parentes de primeiro grau podem doar um rim porque vive-se bem com um, portanto, o outro pode ser doado sem nenhum problema, desde que haja histocompatibilidade. As pessoas aos poucos estão ampliando a consciência da importância da doação, mas é preciso avançarmos ainda mais nesta conquista?, observou, acrescentando que Alagoas tem 650 pacientes renais aguardando doação de rins, sendo cerca de 400 em condições de se submeter à cirurgia. Desde 98, quando entrou em vigor a lei dos transplantes, já foram realizados 124 em Alagoas: 75 de rins, 39 de córneas e oito de coração. O mais novo beneficiado com o transplante cardíaco, João Lourenço, saiu da sala de cirurgia por volta das 3 horas da madrugada de ontem, mas passou o dia bem, ao lado da esposa, Maria Juvêncio Casado. ?Estou muito feliz. Ele sofria muito com o coração doente e toda a família também. Quando a gente recebeu o chamado da Central de Transplantes foi uma emoção que não dá para descrever?. Lista de espera Segundo Benício Bulhões, mais quatro pessoas continuam na lista de espera, aguardando coração. É a lista onde há menor quantidade de pessoas, justamente porque os pacientes vão a óbito antes de aparecer doação. A maior lista é a de rins: tem 650 na espera, em seguida, vem a de córneas, com 192 pacientes. Através do telefone 0800-883-2323, qualquer pessoa pode solicitar informações sobre como funciona o serviço, inclusive comunicar a intenção de doar. Qualquer pessoa entre 18 a 69 anos pode doar, desde que em vida tenha gozado de bom estado geral de saúde. O coração pode ser retirado até quatro horas após a morte encefálica. As córneas até seis; os rins até 24 horas, mas o ideal é até seis. Quanto mais cedo a retirada maior a chance de os órgãos funcionarem bem no outro corpo.

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