Cidades
Mandado de pris�o
BLEINE OLIVEIRA Só há uma forma de a Justiça revogar a prisão do dirigente sem-terra Valdemir Agostinho, do Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL). É ele se apresentar ao juiz Alberto Ramos, da comarca de Novo Lino, que decretou sua prisão. Essa foi a orientação do procurador-geral de Justiça, Dilmar Camerino, aos coordenadores do MTL, que ontem foram à sede do Ministério Público (MP). A revogação da prisão de Agostinho é um dos objetivos do movimento que, desde o último sábado, 18, montou acampamento na Praça Deodoro, no centro de Maceió. Como a prisão do líder do MTL, Valdemir Agostinho, foi solicitada pelo promotor da cidade, Jorge Bezerra, os dirigentes do movimento foram ao Ministério Público tentar revogá-la. ?Expliquei a eles, com bastante clareza, que o MP não decreta e não revoga prisão. Esse papel é da Justiça?, afirmou o procurador Dilmar Camerino. Ele revela, ainda, que na conversa com os sem-terra mostrou que sem a apresentação de Agostinho nada poderá ser feito. ?Uma decisão judicial deve ser respeitada. O Judiciário não revoga prisão com réu foragido?, acrescentou Camerino, salientando que aconselhou os dirigentes do MTL a viabilizar o cumprimento do mandado de prisão. Diante da alegação dos sem-terra de que Agostinho se sente ameaçado e sem garantias para se apresentar, o procurador-chefe disse que se propôs a recebê-lo para levá-lo ao juiz e que o MP encaminharia ofício pedindo ao Estado e à Polícia Federal que assegurem a ele todas as garantias necessárias. Desapropriação O atual coordenador estadual do MTL, Antônio José Gomes Soares, disse que os dirigentes vão tentar localizar Valdemir Agostinho para informá-lo da situação e posteriormente anunciarão o que será feito. Os sem-terra querem, ainda, que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) acelere o processo de desapropriação de terras em Novo Lino, Flexeiras e São Luiz do Quitunde e libere sete mil cestas básicas para alimentação das famílias que estão nos acampamentos montados em rodovias desses municípios. Sobre o acampamento na Praça Deodoro, que segundo a coordenação do MTL já reúne 350 famílias de trabalhadores, Antônio José revelou que mais famílias chegarão a Maceió para engrossar as fileiras do movimento, já que o objetivo deles é pressionar o Incra a resolver as pendências que emperram os processos das áreas onde reivindicam que seja feita a reforma agrária. Entre as terras sob análise do Instituto estão as fazendas Papauan e Amor, em São Luiz do Quintunde, Capricho, Boa Esperança, Oriente e Junco, em Porto Calvo. ?Precisamos, também, de comida, o povo aqui tá passando fome?, reclamou Antônio José.