Cidades
Ufal discute mudan�a na forma��o dos m�dicos
ANA MÁRCIA Um dos maiores desafios do ensino médico, hoje, no Brasil não é mais a formação de especialistas, mas de profissionais capazes de prevenir doenças e promover saúde à população em seu sentido mais amplo. O assunto foi debatido, ontem, na IV Jornada Multidisciplinar do Hospital Universitário, dentro das comemorações dos seus 30 anos, pelo coordenador de Educação Popular, do Ministério da Saúde, José Ivo Pedrosa, professores e estudantes da área. ?Há uma desarticulação no processo de formação com a realidade de saúde?, disse José Ivo, ao ressaltar que, hoje, o maior mercado de trabalho é o Programa Saúde da Família, que requer uma formação de médico generalista, com habilidade voltada para o trabalho em equipe. Segundo o representante do Ministério da Saúde, atualmente, sem essa consciência da importância do trabalho de equipe, não pode-se definir a responsabilização dos problemas que surgem, dentro do contexto de determinantes sociais de saúde. ?Não se pode desprezar os determinantes sociais do processo saúde/doença, por isso, o ideal é formar generalistas e depois então buscar especialidades, mas o problema é que todos os estudantes de Medicina querem ser especialistas?, explicou José Ivo. Na sua opinião, ao contrário do que se imagina, complexo não é ser especialista, mas trabalhar com Saúde da Família, onde um menino com um barrigão não vai ficar curado ao se receitar vermífugos, porque na comunidade onde reside não tem saneamento. ?A idéia é criar uma outra cultura de saúde e não continuar com a cultura de médicos e medicamentos, porque saúde é cuidar?, falou. Ele defende que gestores precisam escutar as necessidades da população e os Conselhos de Saúde formular políticas na área, enquanto a população modificar essa cultura. Ano passado, foi lançado um incentivo para financiamento de escolas de Medicina interessadas nessas mudanças. O objetivo é que o aluno tenha um maior contato com as comunidades, acabando com o sistema de disciplinas, passando a aprender por módulos em função dos problemas. Uma doença não pode ser vista como algo separado do todo que compõe o ser humano. A Ufal vem investindo nessa nova proposta de ensino, iniciando com sensibilização e treinamento de professores. Um novo currículo só poderá ser iniciado em 2005.