Cidades
Colapso e racionamento d�gua amea�am Macei�
ANA MÁRCIA Maceió está a um passo de sofrer um colapso no abastecimento d?água que levará ao racionamento drástico e obrigatório, no verão 2004, caso a primeira fase da primeira etapa do Sistema Pratagy não entre definitivamente em operação no início do próximo ano. A Companhia de Saneamento e Abastecimento de Água do Estado de Alagoas (Casal), já perdeu 20 poços artesianos de um total de 215 existentes. São poços que começam a secar ou que perderam a qualidade da água, estando com nível de sal e ferro acima dos padrões aceitáveis para o consumo humano. Segundo informações do diretor de Operações da Casal, Walace Padilha, a situação é preocupante e está chegando a um limite insustentável. ?O crescimento contínuo da população, de forma desordenada tem levado a uma excessiva exploração do lençol de águas subterrâneas, provocando um rebaixamento excessivo do nível deste lençol que leva os poços a secarem, como já vem ocorrendo?, explicou Padilha. A partir do momento que se retira excessivamente água doce subterrânea, mas não há recarga de chuvas suficiente, em função de problemas urbanos, abre-se um vácuo para que a água do mar avance provocando salinidade na água dos poços. Numa situação de equilíbrio, a cunha salina não avançaria. Apesar deste desequilíbrio, a Casal não pode retirar de operação os poços artesianos existentes, que abastecem quase todos os bairros da capital, porque iria causar desabastecimento. A única solução é mesmo o Sistema Pratagy, que deveria ter entrado em operação na década de 80. Enquanto ele não vem, para continuar atendendo à população, a Casal faz diluição de água considerada boa, com a água de qualidade alterada dos poços problemáticos da cidade. As águas se juntam num amplo reservatório até diluir o excesso de sal e de ferro. O teor máximo permitido de ferro e sal é de 250 miligramas por litro, mas há poços com até 1.700 miligramas por litro. ?O que salva é a diluição, gerando água de 118 a 120 miligramas por litro de sal e de ferro, numa média dentro dos padrões normais de consumo. A minha preocupação maior é chegar a um determinado momento em que a gente não possa mais diluir?, alerta Padilha. A profundidade para a perfuração dos poços também foi alterada. Por conta do rebaixamento do lençol freático, a perfuração que em média era de 80 a 120 metros, passou para 200 metros de profundidade. Só para efeitos de comparação, o conhecido Edifício Breda tem 30 metros de altura. Com atraso de 20 anos, Pratagy é única solução O Sistema Pratagy de Abastecimento tem um atraso histórico de 20 anos. Para o diretor de Operações da Casal, Wallace Padilha, torna-se inadiável a sua operacionalidade. A previsão é que a primeira fase da primeira etapa do sistema entre em funcionamento em março de 2004, permitindo um acréscimo de 1,08m3 por segundo, significando uma elevação de mais de 50% na atual produção de água em Maceió, estabelecida em 2m3 por segundo. ?Isso permitirá que a Casal retire de operação, poços com a qualidade comprometida?, afirma. Para esta fase, o governo do Estado conseguiu recursos equivalentes a R$ 2 milhões, para construção da adutora que vai do trecho Barro Duro, (nas imediações do Restaurante Vitória Paladares) ao Vale do Reginaldo. Trata-se de uma antecipação de valores, enquanto o governo não libera verbas federais para a obra. A partir dessa adutora é possível evitar um colapso no abastecimento d?água da cidade, partindo depois para mais dois trechos de adutoras: do Vale do Reginaldo até o reservatório em frente do Quartel do Exército e daí ao reservatório Santa Margarida, no Jacintinho. ?Com esses três trechos será concluída a primeira etapa do Pratagy, evitando, inclusive, a perfuração indiscriminada de poços pelo setor privado?, diz Walace Padilha. De acordo com informações do gerente de Obras da Casal, Daniel Eugênio, alguns comerciantes estão resistindo ao início das obras, alegando prejuízos com a interdição do trânsito, sobretudo nesta temporada de fim de ano. Este fato tem dificultado o início das obras, mas a direção da Casal acredita que interesses de um grupo não pode inviabilizar um trabalho fundamental para toda a população de Maceió. As obras do Sistema Pratagy foram reiniciadas em 1997. Desde então, já foram investidos R$ 34 milhões, sendo necessários mais R$ 12 milhões para conclusão da primeira etapa. (AM) Cinqüentenário Catolé/Cardoso O Sistema de Abastecimento Catolé/Cardoso foi projetado para abastecer a cidade por um período de 15 a 20 anos, mas ele entrou em operação nos anos 50 e continua operando, até hoje, quando Maceió já tem quase um milhão de habitantes. O crescimento desorde-nado tem um reflexo negativo na questão da água e caminha com o problema social. ?As pessoas não têm onde morar, ocupam as grotas e encostas, que por sua vez deveriam ser áreas florestadas e de recargas do lençol freático?, alerta Wallace Padilha. A questão é de exclusão social, um fator danoso ao sistema de abastecimento d?água. Nas favelas formadas na capital são feitas ligações clandestinas e não existe consciência sobre as perdas com desperdícios. Ali, ao contrário de uma outra área, ninguém avisa quando percebe vazamentos ou perdas excessivas. O problema atinge a vasta região do Tabuleiro do Martins, onde inúmeros conjuntos habitacionais acabam gerando favelas que os circundam, onde o desperdício é elevado. A região, atendida pelo Riacho Aviação, há alguns anos sofre manobras de suspensão no abastecimento d?água em dias alternados, como alternativa encon-trada para que os dois extremos do Tabuleiro possam ter água, dia sim, dia não. (AM)