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DOMÉSTICAS E DIARISTAS RELATAM DIFICULDADES

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Imagem ilustrativa da imagem DOMÉSTICAS E DIARISTAS RELATAM DIFICULDADES
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As consequências da disseminação do novo coronavírus (Covid-19) e da prorrogação do Decreto de Emergência do Governo de Alagoas vêm afetando também a vida - e o trabalho-, das domésticas e diaristas de Alagoas, que, sem lugar onde trabalhar, pelo medo e insegurança que predominam nas residências alagoanas, estão em situações de risco. Já aquelas que ainda possuem trabalho, enfrentam a dura jornada do trabalho dobrado. Segundo a proprietária de uma agência de domésticas e diaristas de Maceió, Edjane Silva, a situação é crítica para aquelas que tiram do ramo o seu sustento. “É um cenário muito crítico. Ocorreram muitas demissões, candidatas me ligando chorando. Eu entendo também a situação do ex patrões, que não possuem dinheiro para pagar o salário das domésticas porque estão sem renda, já que muitos são autônomos. Elas me ligam o dia todo pedindo emprego, pois muitas moram de aluguel, tem filhos e isso tudo é muito complicado e desgastante”, contou. “Quanto ao salário até agora nenhuma me relatou sobre a diminuição, mas está uma carga muito excessiva de trabalho, pois a família ficam em casa o dia inteiro e possuem ali uma pessoa trabalhando o tempo todo sem parar. Elas estão muito desgastadas, porém não podem sair pq sabem q irão ficar desempregada”, disse a proprietária da agência. Entre as domésticas e diaristas que trabalham da agência, a proprietária relata que muitas foram demitidas, e as que permanecem empregadas, precisam dormir na casa de seus patrões, uma vez que moram, em grande parte, em municípios afastados da capital alagoana. Entre a escolha de ficar junto da família em situação de necessidade e trabalhar fora conseguindo o sustento, a empregada doméstica, Claudia Marizete, que está no ramo há 8 anos, está dormindo no trabalho para poder levar o sustento a seus 4 filhos. “Não está nada fácil. Está uma carga muito pesada de trabalho e não tenho horário pra dormir. Quando chega final de semana não tem transporte para ir para Viçosa, que é onde meus filhos estão com meus pais. Já estou dormindo por aqui desde o dia 20 de março, esses dias todos sem ver meus 4 filhos”, disse. Ela conta também que, devido ao decreto, não há meios de transporte para visitar seus filhos, e quando consegue algum informal, seus patrões não liberam sua ida por possuírem crianças em casa, com medo da transmissão do coronavírus. “Eu encontrei uma carona com minha irmã a semana passada mas falei com eles [patrões] e eles não permitiram que eu fosse. Disseram que eu podia ter contatos com outras pessoas e teria risco de voltar com esse vírus e afetar os filhos deles”, relatou a empregada doméstica. Claudia conta ainda que por hora não teve sua Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) assinada, uma vez que está nesse emprego apenas há dois meses, e a promessa dos patrões é para que seja assinada no término dos três meses de trabalho. Ela relata ainda que sua jornada de trabalho é de mais de 8 horas diárias, de domingo a domingo e sem folgas, contrariando as leis trabalhistas para domésticas que dormem no serviço.

DEMISSÕES

No outro lado da realidade das domésticas vive Maria Cicera, que devido ao medo das famílias que possuem grupos de risco entre os seus familiares, foi demitida e está sem ter de onde tirar o seu sustento. “Não falo que meus ex patrões são ruins. Eles tinham uma pessoa mais velha em casa e ficaram com medo. Começaram pedindo para eu ficar pelo menos 1 metro de distância, não podia nem sequer arrumar a mesa, depois não podia ficar na mesma sala, ai no fim me demitiram”, disse a doméstica. “Já estava difícil antes, agora ficou pior. Moro só, não tenho marido, nunca ganhei nada do governo. Comecei a receber esse mês meu Bolsa Família, no valor de R$ 89,00, como eu vou sobreviver com esse dinheiro? Não tem como. Sem o salário que eu recebia como doméstica, que já era pouco, eu estou sem até o que comer. Se olharem o armário da minha casa eu tenho um pacote de cuscuz e outro de café”, contou Maria Cicera, emocionada. Maria conta ainda que está procurando serviços, mas como ninguém quer contratar, não sabe mais o que fazer. “Ou eu pego essa doença ou eu morro de fome, como dizem”, disse a senhora, emocionada, enquanto relatava que a comida está acabando e o serviço está em falta.

* Sob supervisão da editoria de Cidades.

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