Cidades
Diálogo é a chave para convivência em período de quarentena, segundo psicóloga (2)
Manter-se o mais dentro possível de sua rotina comum ajuda a lidar com as situações do dia a dia
A saúde mental se torna um assunto cada vez mais importante na vida das pessoas, principalmente mediante situações nunca vividas anteriormente, como o estado de quarentena em que as famílias alagoanas se encontram depois do decreto de emergência do governo de Alagoas para conter a disseminação do novo coronavírus (Covid-19). Nessas situações o diálogo está entre as principais formas de manter uma relação saudável para todos os familiares.
Manter uma relação com familiares em um estado de quarentena não é uma situação fácil ou simples, e se for levar em conta as condições sociais e econômicas do núcleo familiar as coisas podem complicar ainda mais, como conta a psicóloga com ênfase em família, Bruna Mortari. “A convivência familiar em um período quarentena não é algo simples, ainda mais se considerarmos as mais diversas constituições familiares, com seus problemas sociais e econômicos. Ao convivermos de maneira reclusa com um único grupo de pessoas dia após dia, é comum que aflorem dificuldades de convivência não trabalhadas anteriormente ou até certas mágoas que outrora seriam puxadas para baixo do tapete”, disse.
Para a psicóloga é nessas horas que o coletivo e o diálogo devem ser postos a frente e colocados em prioridade. “O que acredito ser válido comentar, de um modo mais geral, é a importância de tentar preservar o coletivo, o diálogo e o respeito com a angústia do outro, respeitando a maneira como cada um passa por esse tipo de situação. Agora, mais do que nunca, é necessário trazer à tona que as diferenças existem, assim como as dificuldades, os rancores e os incômodos. Mas, devemos nos perguntar: “O que eu posso fazer com tudo isso? De que melhor maneira posso lidar com isso agora?”, explicou.
No que tange a relação entre pais e filhos, é importante destacar, segundo a psicóloga, que a verdade dos fatos tem que ser mantida, não escondendo, portanto, da criança, o que está acontecendo fora do seu ambiente familiar. É importante destacar que as crianças possuem a capacidade de entender o que está acontecendo, contudo, deve ser realizada uma adaptação dos fatos a depender da idade, mas a verdade deve ser mantida para evitar traumas futuros.
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DICAS
Bruna destaca que em casas onde o núcleo familiar seja composto por crianças pequenas existem dicas especiais que podem ser usadas para ajudar na adaptação da nova situação e reforça também que a melhor forma para se trabalhar toda essa situação, seja com crianças ou com adultos é procurar estar mais dentro possível da sua rotina comum do dia a dia .
“As dicas que acredito serem válidas para as famílias com crianças pequenas consistem em procurar manter a rotina do dia a dia, tendo as mesmas atividades, reservando o momento em que estariam na escola para ter atividades didáticas com o núcleo familiar, e também permitindo que as crianças tenham momentos sozinhas. É importante uma criança que sabe brincar só ou com seus irmãos. É importante salientar que os pais também tenham momentos de interação a dois, para eles, como tinham antes”, explica a psicóloga.
FAMÍLIAS
Para Anderson Almeida, servidor público, pai de uma menina de 2 anos de idade e que atualmente está trabalhando por regime de teletrabalho (home office) devido a quarentena, a rotina familiar foi mudada de forma que abrangesse toda a família.“ Nós viemos para Arapiraca onde não possuem casos registrados de Covid-19 e trouxemos para cá grande número de brinquedos, como bicicleta, bonecas, bolas e carrinhos. Inserimos no nosso dia uma nova rotina acordamos, fazemos a higiene pessoal, preparamos nosso próprio café da manhã (ela participa na medida do possível), depois vamos brincar ao ar livre. Depois do almoço, ela dorme um pouco. Quando acorda, vamos ler, pintar ou brincar com massa”, contou.
A família de Rose Ferreira não é muito diferente, a alagoana que está atualmente em Portugal com as filhas e o marido, por conta de estudos, conta que a devido a quarentena a rotina familiar teve que ser alterada e o diálogo foi a chave para conseguir conciliar tudo. “Nossa rotina mudou, principalmente porque estamos estudando aqui e temos nossas filhas também. Foi conversado e definido o que cada um faria para que houvesse forma de conciliar os estudos e a família”, disse Rose Ferreira, que completou: “vamos tentando nos ajudar para que esse tempo transcorra da melhor forma dentro das possibilidades.”