Cidades
ENTIDADES DENUNCIAM FALTA DE ESTRUTURA NAS UNIDADES DE SAÚDE
Em algumas delas, não há sequer água e sabão; profissionais também sofrem com falta de EPIs
Em tempos de avanço do novo coronavírus, parte frágil dessa luta é o profissional que atua na área de saúde. Se não houver proteção suficiente, cresce o risco de adoecimento desse grupo no país. Em Alagoas não é diferente. Trabalhadores da linha de frente nessa pandemia já entraram para a estatística de vítimas da Covid-19.
Há mais de uma dezena deles infectados e quase 40 profissionais de Enfermagem com suspeita da doença, segundo dados da última semana, mas os números são ainda mais preocupantes, já que as próprias entidades reconhecem que a subnotificação de casos esconde a realidade.
O presidente do Sateal (Sindicato dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem de Alagoas), Mário Jorge Filho, afirma que desde que foi decretada a pandemia, a entidade orienta os trabalhadores no sentido de denunciar as unidades que não estão fornecendo Equipamentos de Proteção Individual, os EPIs.
“Também estamos orientando sobre outros problemas para que haja a apresentação da denúncia na Procuradoria Regional do Trabalho (PRT) e uma ação por parte do órgão no sentido de corrigir os problemas, cobrando a responsabilidade e a obrigatoriedade no cumprimento da lei. Esse trabalho em conjunto foi proposto pelo Ministério Público do Trabalho e vem funcionando na ideia de agilizar o tempo de resposta a partir do recebimento da denúncia”, explica Mário Jorge.
A reportagem questiona ao presidente do Sateal sobre quais são as principais queixas dos profissionais nesse momento de pandemia. “Há a falta de fornecimento de equipamentos de proteção individual. Os profissionais do nível técnico também estão sofrendo discriminação dentro do local de trabalho porque outras categorias, como médicos e enfermeiros, são prioridade para o fornecimento do EPI mais completo. Ficamos com o que dá para improvisar”, denuncia.
FALTA TREINAMENTO
Mário Jorge exemplifica sua denúncia com um caso ocorrido no último dia 13. “Recebemos uma denúncia de unidades de saúde que estão fornecendo a máscara N-95 apenas para médicos e enfermeiros. O problema é que ambos não fazem os procedimentos, como aplicação da medicação nos pacientes. Outro problema é a falta de treinamento. Não há protocolo nem manejo prévio nos equipamentos necessários para agir para os casos confirmados de coronavírus”, acrescenta. O Sateal explica que já foi solicitado a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) o número de profissionais afastados em decorrência de suspeita ou contaminação pelo coronavírus. “Na rede privada, infelizmente, não conseguimos acesso, apesar de já solicitar. Acreditamos que haja subnotificação também nesse caso. O que temos é considerado não oficial, pois sabemos que os colegas com diagnóstico estão sendo afastados, mas eles estão indo para o isolamento e não estão comunicando ao Sindicato”, explica o presidente da entidade. Sobre relatos de profissionais estressados e sobrecarregados nesse período de combate à pandemia, Mário Jorge reconhece o problema por ter que lidar com a situação, principalmente no interior do estado. “Sobrecarga de trabalho é um problema crônico em nossa categoria. Não há respeito algum ao dimensionamento de pessoal. Na tentativa de garantir a qualidade mínima no ambiente de trabalho estamos realizando visitas aos locais, notificando as empresas e contribuindo para que o Ministério Público possa agir rapidamente”.
DENÚNCIAS OCORREM TODOS OS DIAS
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Já o médico Fernando Pedrosa, presidente do Conselho Regional de Medicina de Alagoas (Cremal), explica que a entidade tem atuado junto aos profissionais durante essa pandemia realizando fiscalizações e apurando denúncias. “As principais queixas dos profissionais nesse momento de pandemia são a falta de EPIs, recebemos denúncias diariamente”, disse. Sobre os problemas mais encontrados nas unidades de saúde, ele acrescenta desde a falta de EPIs, até localidades sem água e sabão e de falta de estrutura de modo geral. Renné Costa, presidente do Conselho Regional de Enfermagem de Alagoas (Coren/AL), explica que “estamos desde o início dessa pandemia averiguando as Unidades de Saúde. As averiguações são diferentes das fiscalizações usuais, estamos seguindo outras diretrizes, que focam na disponibilização de equipamentos de proteção individual (EPIs) para segurança do profissional. Além disso, estamos trabalhando em parceria com o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) para poder oferecer aos inscritos cursos de capacitação à distância”. Assim como outras entidades, a reportagem pergunta a Renné Costa quais são as principais queixas dos profissionais nesse momento de pandemia e ele conta que a principal reclamação tem sido a insegurança de trabalhar em um momento como esse e a falta e/ou racionamento de EPIs. E sobre quais os problemas mais encontrados nas unidades de saúde, ele relata que já foram encontrados produtos vencidos e racionamento de material. Sobre a confirmação pela Sesau que há profissionais afastados porque foram infectados pelo coronavírus, o Coren explica já foi solicitado que todos os Enfermeiros Responsáveis Técnicos (RT) informem os casos de profissionais da enfermagem doentes ou com suspeitas ao Coren-AL. “Porém nem todos nos comunicaram. Estamos sabendo de alguns casos, mas o número não é tão completo quanto os oficiais da Sesau. Estamos acompanhando e mantendo contato, um deles é nosso conselheiro, inclusive”. Leia mais na página A15