Cidades
CATADORES ALAGOANOS TÊM DIFICULDADES DEVIDO À PANDEMIA
Sem poder catar material reciclável nas ruas da capital alagoana, categoria está sobrevivendo de doações de cestas básicas
O decreto emergencial do governo de Alagoas, que impõe, seguindo as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), o isolamento social, continua afetando negativamente a vida de muitos alagoanos. Para a classe de catadores, que sobrevive através da coleta de resíduos sólidos recicláveis, a quarentena se tornou o período mais complicado de suas vidas.
Sem trabalho e com as cooperativas de catadores paradas, a sobrevivência da classe está se dando através de doações por campanhas solidárias, segundo Ivanilda Gomes, tesoureira da Cooperativa dos Catadores da Vila Emater (Coopvila) e representante estadual dos catadores.
“Com essa pandemia, já que está tudo fechado, a coleta seletiva está parada. Tudo parou dia 23 de março. Então, para nossa sobrevivência a Coopvila fez uma campanha de solidariedade de doação em prol dos catadores de todo o estado de Alagoas, porque ela representa os catadores em nível nacional”, disse. “Essa campanha espera solidarizar as pessoas, para que doem alimentos, equipamentos de proteção individual (EPI’s), produtos de limpeza etc. Porque em Maceió as cooperativas pararam de funcionar mas temos contrato com a Prefeitura, e eles falaram que continuariam pagando o contrato mesmo que tivéssemos que parar, porque somos vulneráveis a esse vírus e eles entendem. Agora, sobreviver mesmo é através das cestas básicas e da solidariedade daqueles que estão nos ajudando”, contou a catadora.
Ivanilda Gomes relata ainda que existe um problema grande além da falta de trabalho, que seriam os catadores que não estão em cooperativas e se arriscam fazendo o trabalho por conta própria. “Ainda há o que catar, porque o pessoal joga no meio da rua ou na porta de casa e alguns catadores, que não estão em cooperativas ou associações, sobrevivem da venda desses resíduos. Eles estão correndo o risco de ser contaminados pelo vírus para conseguir garantir a comida de sua família”, relatou.
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Ela conta também que cada cooperativa e comunidade são diferentes. Como a Coopvila, a qual faz parte, fica localizada na Vila Emater, as pessoas, ao levarem as doações, acabam por ajudar toda a comunidade que reside no local. Segundo Ivanilda, na comunidade onde mora existem 280 famílias, e nas duas ações realizadas, todas elas receberam cestas básicas para se alimentar durante a pandemia, além de kits de higiene. Ela reconhece ser pouco, mas reforça que nesse momento tudo ajuda. Para Maria José da Silva, presidente da Cooperativa dos Catadores de Lixo Urbano de Maceió (Cooplum), esse é um momento difícil em que estão sem ter como trabalhar. “Estamos em um momento muito difícil, que nunca esperamos passar. Sem poder fazer nada por conta da pandemia desse vírus, nosso galpão não tem material reciclável. O que resta para nós que trabalhamos como catadores é esperar”, contou. Ela disse ainda que as pessoas estão ajudando com cestas básicas e que tiveram que devolver o caminhão de coleta por falta de pagamento. Por não terem como como assumir o contrato de pagamento. Maria relatou ainda que muitos estão tentando trabalhar e recolher por conta própria, ficando expostos ao coronavírus.
* Sob supervisão da editoria de Cidades