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Trabalhador gasta 18% da renda com impostos

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ANA MÁRCIA O brasileiro gasta, em média, 18,5% de sua renda apenas com o pagamento de impostos e tributos, mas o valor é muito mais elevado em muitos casos para arcar com tantas siglas: IPI, IPTU, ISS, ITBI, IPVA. São um retrato da mais alta carga tributária do mundo. Os impostos significam um terço da Produto Interno Bruto do País e compromete a vida da população. O resultado, segundo especialistas, é que impostos em excesso paralisam a produção, reduzem o poder aquisitivo e nem sempre são garantidos os serviços públicos de qualidade na mesma proporção. A reforma tributária, em tramitação no Congresso Nacional, não mudará esta realidade, apenas irá redistribuir a carga tributária entre municípios, Estados e a União. Na prática, a quantidade de alíquotas vai continuar a mesma. Os governos argumentam não poder abrir mão de receitas uma vez que o orçamento já foi comprometido. Segundo o ex-auditor do Estado, Daniel Salgueiro, que atua com uma empresa de contabilidade, em um mês trabalhado, a receita de dez dias é para o pagamento de impostos, seja pessoa física ou jurídica. O funcionário público Alisson Cardoso compromete 25% de sua renda de R$ 990,00 com impostos, segundo cálculos feitos pela economista Luciana Caetano. No cálculo, não entrou pagamento de IPVA e IPTU e nem mesmo Imposto de Renda, que só incide em salários acima de R$ 1.058,00. São R$ 252,00 para pagar à Previdência, CPMF e iluminação pública, não incluídos os gastos com produtos industrializados, toda vez que vai ao supermercado. Por essa razão, segundo Luciana Caetano, muitos trabalhadores preferem ficar na informalidade. Investimento Segundo o coordenador de Desenvolvimento Fazendário, da Secretaria da Fazenda, Marcos Garcia, o Estado, em seu amplo sentido, é custeado pela receita tributária. Todos esses recursos são investidos em políticas públicas: educação, saúde, segurança pública, transporte, que devem ser prestados, conforme prevê a Constituição. ?Cabe ter uma consciência cidadã para o recolhimento de impostos, assim como a exigência em serviços, para que não acabe, como ocorre muitas vezes, pagando duas vezes: pelos serviços e pelos impostos?, alerta. Garcia cita o Programa de Educação Fiscal de Alagoas como um exemplo do exercício de cidadania.

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